Vassouras e Paty de Alferes | Rio de Janeiro: história, fazendas e cultura no Circuito do Vale do Café

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⭐ Circuito Café, Cachaça e Chorinho | Um passeio pelo Vale do Café 

Aproveitamos o feriado de Tiradentes para explorar o Circuito Café, Cachaça e Chorinho, uma das atrações mais charmosas do Vale do Café, no sul do Rio de Janeiro.
O festival tem como objetivo aproximar o público da história do ciclo do café no Brasil do século XIX, oferecendo visitas às fazendas históricas, saraus, apresentações musicais e palestras. Como a data muda a cada ano, vale sempre consultar o site oficial do evento: https://valedocaferio.wordpress.com/

Partimos do Rio de Janeiro rumo a Paty do Alferes, onde ficamos apenas para pernoitar — embora a cidade mereça muito mais do que algumas horas, como você vai ver abaixo. No dia seguinte, seguimos para Vassouras, Valença e, por fim, Conservatória, completando nosso roteiro pelo Vale do Café.

🌿 Paty do Alferes

Paty do Alferes é pequena, acolhedora e cheia de história. A cidade é conhecida pela Festa do Tomate, um dos principais eventos do estado, que acontece em junho e reúne artistas de projeção nacional no Parque de Exposições.
Em julho, Paty também participa do Festival do Vale do Café, com intensa programação musical que se espalha pelas fazendas históricas, praças e igrejas das cidades vizinhas — Barra do Piraí, Valença, Vassouras, Piraí e Mendes.
Mas Paty vai muito além dos eventos. As suas construções históricas e fazendas de café são atrações imperdíveis.

⭐ Museu da Cachaça

Um dos pontos mais concorridos da cidade. O acervo reúne mais de duas mil garrafas de aguardente, organizadas por temas como localidades, nomes de santos, flores, profissões e até rótulos exóticos com humor politicamente incorreto.
A visita inclui degustação de cachaças produzidas na região — branca, envelhecida ou adocicada.

⭐ Fazendas históricas

  • São João da Barra — datada de 1830, restaurada recentemente e com uma das exposições mais completas de documentos originais do século XIX.
  • Pau Grande — uma das maiores e mais antigas da região.

⭐ Aldeia Arcozelo

Um espaço cultural instalado em antiga propriedade rural, com espetáculos de teatro e música. A capela chama atenção pelas imagens de santos negros e objetos utilizados para tortura de escravos — um mergulho profundo na história.

🏡 Onde ficarReservamos a Pousada Não Me Deixes para o pernoite. A experiência foi excelente.
Saímos do Rio às 17h e pretendíamos chegar às 19h, mas enfrentamos um engarrafamento enorme e só chegamos às 23h.
Telefonamos para a proprietária, que prontamente disse que nos aguardaria.
Chegamos constrangidos pelo atraso, mas fomos recebidos com muita gentileza. A suíte era tão encantadora que mal consegui parar de fotografá-la.
A pousada inteira tem clima de casa de campo: aconchegante, silenciosa, com café da manhã delicioso — perfeita para descansar e namorar.

⭐ Vassouras: a Cidade dos Barões

No dia seguinte, seguimos para Vassouras, criada em 1833 e elevada à categoria de cidade em 1857, impulsionada pelo ciclo do café. O nome vem da abundância da tupeiçava, arbusto utilizado na confecção de vassouras.
Vassouras preserva com orgulho seu passado. No século XIX, era conhecida como Cidade dos Barões, e o centro histórico reflete essa época de riqueza.

⭐ Centro Histórico

A pracinha principal é cercada por construções coloniais:
  • Casa de Câmara e Cadeia (1849)
  • Residência do Barão de Ribeirão (1860)
  • Casa de Cultura (1844)
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (1846)
A Casa da Hera, uma chácara com objetos de época — incluindo um piano francês de 1856 —, é visita obrigatória.

⭐ Fazendas históricas

  • Cachoeira Grande (1820) — piano alemão de 1803, quadros peruanos, vitrolas e relíquias.
  • Cachoeira do Mato Dentro (1874) — mesa original para 40 pessoas.
  • Secretário — estilo neoclássico, com pinturas de 1830 nas paredes.
Em julho, Vassouras recebe parte do Festival do Vale do Café, com apresentações nas praças, igrejas e fazendas.

🚂 Estação Ferroviária de VassourasAntes de 1914, Vassouras tinha a estação da Ferro Carril Vassourense, que ligava a cidade à estação Barão de Vassouras. Eram dois prédios unidos por uma cobertura de ferro.
A estação foi fechada em 1970, e o último trem de passageiros partiu em 30/11/1970. Hoje, o prédio abriga departamentos da Fundação Educacional Severino Sombra.

🏛️ Palacete do Barão de Itambé

Construído em 1849, o palacete foi adquirido pelo Barão de Itambé em 1859. A família Teixeira Leite foi uma das mais influentes do ciclo do café no sul fluminense.
O palacete, tombado pelo IPHAN, fica no centro da cidade, ao lado da Praça Barão do Campo Belo.

🌳 Praça Barão de Campo Belo

Marco do centro histórico, construída entre 1835 e 1857.
O gramado verde, cercado por palmeiras imperiais, abriga o Chafariz Monumental (1846), projetado pelo arquiteto espanhol Joaquim Soto Garcia de La Veja. No século XX, ganhou lago, bustos e novas árvores.

🌿 Praça Sebastião de Lacerda

Localizada atrás da Igreja Matriz, homenageia um dos primeiros abolicionistas da cidade.
De um lado, 16 ficus centenários; do outro, a Casa das 14 Janelas, que pertenceu a João Evangelista Teixeira Leite.

⛪ Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição

A capela começou a ser construída em 1828. Em 1838, recebeu corpo da igreja, torres, sacristia e consistórios.
O gradil neoclássico foi colocado em 1871. O painel da padroeira é obra de José Hallais de Oliveira.

🏛️ Paço Municipal e Universidade de Vassouras

O conjunto arquitetônico completa o charme histórico da cidade, reforçando sua importância no ciclo do café.

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