Paris | França: Bate‑volta ao Château de Malmaison — a residência de Josefina e Napoleão

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⭐ Rueil‑Malmaison e o Château de Malmaison — um mergulho na história de Napoleão e Joséphine

Para quem já visitou Paris algumas vezes ou dispõe de mais tempo na cidade, existem destinos próximos que revelam capítulos fascinantes da história francesa e podem ser explorados em um passeio de um dia. 
Nesta viagem, incluímos dois deles: o Château de Vincennes e o Château de Malmaison. Aqui, organizo o roteiro completo para conhecer Malmaison — como chegar, o que ver e por que esse lugar é tão especial.

⭐ Rueil‑Malmaison — a cidade que guardou os anos mais felizes de Napoleão e Joséphine

Localizada a cerca de 10 km a oeste de Paris, Rueil‑Malmaison pertence ao departamento de Hauts‑de‑Seine, na região Île‑de‑France. A cidade se estende suavemente desde o alto do Mont‑Valérien até as margens do rio Sena, combinando áreas residenciais, espaços verdes e um centro moderno.

Apesar da urbanização, Rueil preserva sua atmosfera tranquila e seus bairros floridos. É também um lugar profundamente marcado pela presença de Joséphine de Beauharnais, que transformou Malmaison em seu refúgio preferido.

✔ Igreja Saint‑Pierre‑Saint‑Paul
Classificada como monumento histórico, abriga os túmulos de Joséphine e de sua filha, Hortense, mantendo viva a memória da família Bonaparte.

⭐ O domínio de Malmaison — o coração do Primeiro ImpérioDurante o período napoleônico, Malmaison era parte de uma vasta propriedade de mais de 700 hectares, que incluía jardins, bosques e áreas agrícolas. Hoje, o que resta desse domínio é o Château de Malmaison, residência íntima de Napoleão e Joséphine e cenário dos anos mais felizes do casal.

      

⭐ Château de Malmaison — o castelo de Joséphine

Adquirido por Joséphine em 1799, Malmaison tornou‑se, entre 1800 e 1802, uma das sedes do governo francês durante o Consulado. Ali, ministros se reuniam, decisões eram tomadas e a vida política se misturava à vida doméstica.
Atualmente, o castelo abriga o Musée du Château de Malmaison, com uma das mais importantes coleções dedicadas ao Primeiro Império: móveis originais, objetos pessoais, quadros, armas, instrumentos musicais e ambientes preservados.

⭐ Cômodos que podem ser visitados

Entre os cerca de 12 espaços abertos ao público, destacam‑se:
A varanda em forma de tenda militar, com bustos do Imperador
Sala de bilhar
Sala dourada, com mosaicos e incrustações
Sala de música, com piano, harpa e pinturas da época
Biblioteca, com obras clássicas e modernas
Quarto de Bonaparte
Sala de sabres
Sala dedicada à Batalha de Austerlitz
 
 
      

  
 
 
O último cômodo, de forma oval, vermelho e dourado, é o quarto de Joséphine e local onde ela faleceu em 1814.    
Cada ambiente preserva detalhes que revelam o gosto refinado de Joséphine e a vida íntima do casal.

⭐ Napoleão e Joséphine — amor, política e separação

A história de Malmaison está profundamente ligada ao relacionamento entre Napoleão & Joséphine:
1. Napoleão nasceu em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769.
“Exatamente quando a ilha, situada a oeste da Itália, antes pertencente ao estado genovês, acabara de passar ao domínio francês. Ele diria mais tarde: “Nasci quando minha pátria estava morrendo”.”
2. Napoleão conheceu Joséphine em 1795, uma viúva de 32 anos com dois filhos.
“O jovem general Napoleão ficou deslumbrado por Joséphine. Ele gostava muito dos filhos dela, ao ponto de os adotar oficialmente, não permitindo que os chamassem de adotivos.”
3. Casaram‑se civilmente em 1796.
“Um simples casamento civil uniu-os em 9 de março de 1796. Ela era 6 anos mais velha que ele. Na certidão, a noiva diminuiu dois anos da idade; Napoleão acrescentou dois a dele.”
4. Joséphine comprou Malmaison em 1799, por 325 mil francos.
5. Em 1804, como prova de seu poder, Napoleão retirou a coroa das mãos do Papa Pio VII, coroando-se imperador na Catedral de Notre-Dame; em seguida, coroou Joséphine.
“Para se ter ideia de seu poder, Carlos Magno teve de ir a Roma ser coroado imperador, mas Napoleão exigiu do papa que viesse a Paris. Pio VII suportou a humilhação e obedeceu.”
6. O casal viveu anos intensos, marcados por paixão, ciúmes, cartas inflamadas e vida política.
Enquanto Josephine permanecia em Paris, esbanjando fortunas em festas e recepções luxuosas, o marido enviava-lhe, diretamente do front, uma carta apaixonada atrás da outra: 
— "Beijo seus seios e mais embaixo, muito mais embaixo", ele escrevia, enquanto os canhões trovejavam ali perto.
— “Não sabes que, sem ti, sem o teu coração, sem o teu amor, não existe para o teu marido nem felicidade, nem vida?…”
— “Longe de ti, as noites são longas, tristes e melancólicas. Junto de ti, desejo que seja sempre noite.”
7. Em 1809, separaram‑se por consentimento mútuo, pois Joséphine não podia dar ao Imperador um herdeiro.
“Durante cinco anos, Josephine compartilhou o trono com Napoleão, tornando-se a mulher mais influente da França durante o Primeiro Império. Mas, não podendo dar-lhe o filho tão esperado, ambos concordaram com o divórcio para que Napoleão pudesse casar com outra mulher e ter um herdeiro.
Relatos históricos comprovam que Napoleão desconfiava que sua esposa o traía. Ainda que mandasse cartas desesperadas, perdoou-a (ele também mantinha vários casos com outras mulheres). Só não perdoou a infertilidade da esposa.
Nesta cerimônia, cada um leu ao outro uma declaração na qual prometiam-se uma devoção eterna, prova da permanência do seu amor.”
     
8. Joséphine permaneceu em Malmaison até sua morte, em 1814.
“Após o divórcio, Josephine conservou o seu título de imperatriz, retirando-se para o seu lugar preferido, o Castelo de Malmaison.
Compartilhar o seu tempo entre viagens, as suas coleções de arte, dedicar-se à sua paixão pela botânica. Aproximou-se dos netos, acolheu-os em Malmaison, estadas das quais o futuro Napoleão III irá recordar com emoção. 
Joséphine faleceu aos 51 anos, de uma angina infecciosa, cercada das suas filhas Eugène e Hortense. Foi sepultada na Igreja de Saint-Pierre-Saint-Paul em Rueil-Malmaison.”
9. Napoleão faleceria sete anos depois, exilado em Santa Helena.
Em 1810, Napoleão se casou com a princesa Maria Luísa da Áustria. Um ano depois, nasceu François Charles Joseph Bonaparte.
Napoleão, o amor da vida de Joséphine, faleceria 7 anos depois, aos 52 anos, na ilha de Santa Helena, aprisionado pelas tropas britânicas.
Segundo a opinião do médico que o assistiu, a sua morte foi causada por uma úlcera provocada por uma má dieta e, sobretudo, pela ansiedade.
Maria Luisa, ao saber da morte do marido, casou-se em segredo com o ajudante-de-ordens Adam Albert Graf von Neipperg, seu amante austríaco.”
Malmaison é, portanto, um lugar onde a história política se entrelaça à história afetiva.

⭐ O parque de Malmaison

Além do castelo, o parque é um espaço agradável para caminhar, refletir e imaginar como era o domínio original de Joséphine, que dedicou parte da vida à botânica e às coleções de plantas raras.

⭐ Como chegar a Rueil‑Malmaison e ao Château de Malmaison

A forma mais prática é:
✔ RER A
Descer em La Défense e seguir de ônibus.
✔ Ônibus para Rueil‑Malmaison
Várias linhas atendem ao castelo, mas a que passa pelo Château é a 258.
É importante verificar o itinerário da linha 258, pois alguns trajetos terminam antes de chegar ao castelo. A parada correta é “Le Château”.
✔ Atenção às zonas de transporte
  
Rueil‑Malmaison fica fora da zona 1. É necessário possuir um bilhete válido para as zonas 2 e 3.
Para mais informações, clique aqui: http://www.ratp.fr/itineraires/fr/ratp/recherche-avancee

Onde Comer

Café de La Grand' Place
As duas vezes que estivemos na La Défense, almoçamos no Café de La Grand' Place, onde fomos muito bem atendidos, por coincidência, pelo mesmo garçom.

As porções são boas, a comida é boa, os preços razoáveis em se tratando de um lugar bem executivo.

⭐ Conclusão — um passeio que amplia Paris

Passar uma semana em Paris é sempre pouco para uma cidade que se reinventa a cada visita. Mas explorar seus arredores — como Vincennes e Malmaison — permite enxergar a capital francesa por outra perspectiva: a dos castelos, dos jardins, das histórias pessoais que moldaram o país.
Rueil‑Malmaison, com seu castelo intimista e sua forte ligação com Napoleão e Joséphine, oferece um dos passeios mais emocionantes da região parisiense. É uma viagem no tempo, delicada e profunda, que complementa perfeitamente a experiência de quem já conhece os grandes ícones da cidade.
Paris sempre deixa vontade de voltar — e Malmaison é uma dessas descobertas que fazem essa vontade crescer ainda mais.



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