Évora | Portugal: história, monumentos e o charme da cidade patrimônio da UNESCO

17:08

⭐ Évora — Roteiro de um ou dois dias pela cidade-museu do Alentejo

Évora é a cidade mais emblemática do Alentejo, região conhecida pelos vinhos, cidadelas medievais e sítios arqueológicos romanos. A travessia pela planície alentejana já anuncia o encanto que espera o visitante: uma cidade monumental, histórica e profundamente portuguesa.
Concorrendo em antiguidade com Braga, em nobreza com Ponte de Lima e em autenticidade com 
Barcelos. Évora foi um importante bastião da Reconquista portuguesa desde o século XII. A sua Sé Catedral, com traços militares, é testemunho desse período.
O centro histórico, protegido por muralhas e reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO,
desde 1986. Reúne mais de 400 edifícios de interesse histórico. Entre eles, destacam-se o Templo Romano, a Capela dos Ossos, a Sé Catedral, praças luminosas, palácios, jardins e um aqueduto que se funde ao casario.
É uma cidade para caminhar sem pressa, admirando janelas manuelinas, portas românicas, ruas empedradas e praças que contam histórias de milênios.

A típica calçada portuguesa forra o chão de graciosas praças. As ruas empedradas são feitas para se perambular sem planos. De um lado e de outro vemos casas que narram a história de outros tempos. 
Janelas manuelinas ao lado de portas de arco românico. Um templo que o Império Romano deixou de herança surpreende-nos ao virar da esquina e, ali ao lado, um jardim pleno de romantismo clama para mirarem a sua amada Évora.
Com isto em mente, abaixo sugerimos um roteiro que contempla o melhor de Évora, o que ver e fazer, onde comer e onde dormir, adequado para passar um fim de semana, quer seja numa escapadinha romântica, quer numa viagem em família.

Como chegar

Assim como Coimbra, Évora é um ótimo destino para um bate-e-volta a partir de Lisboa. 
De carro: fica a 150 km e 1h30 de Lisboa.
De ônibus: a viagem dura 1h45, os ônibus são confortáveis e oferecem Wi-Fi gratuito a bordo. 
Os ônibus da RedeExpressos de Lisboa para Évora partem da Estação Sete Rios, interligada ao metrô (Estação Jardim Zoológico — Linha Azul).
De trem: a cidade não é servida por rede ferroviária.

Onde dormir


Évora tem provavelmente a maior e melhor variedade de alojamento no Alentejo e é uma boa base para explorar a região. Possui albergues, pousadas charmosas e luxuosos hotéis boutique. Na época alta do verão ou em datas festivas, é aconselhável reservar alojamento em Évora com antecedência.

O que e onde comer

A gastronomia alentejana é rica, rústica e saborosa. Entre os pratos típicos, destacam-se:
  • Migas à Alentejana
  • Carne de porco em panela de barro
  • Queijadas de Évora
A Praça do Giraldo e a Rua da Alcárcova de Baixo concentram ótimos restaurantes tradicionais e contemporâneos.

⭐ O que visitar em Évora — Dia 1

⭐ Praça do Giraldo
Começamos no coração vivo e sempre palpitante da cidade, a Praça do Giraldo. O nome da praça homenageia Geraldo sem Pavor, herói da tomada de Évora aos muçulmanos; por isso, Roteiro de Évora que se preze tem de começar neste centro do quotidiano eborense. 
Arcadas históricas, paredes brancas, compõem o cenário vibrante deste ponto central.
Sob o fulgor do sol, pessoas descansam em qualquer banco ou ao redor do chafariz da Praça do Giraldo.
A Igreja de Santo Antão apresenta-se de cara lavada, encabeçando um dos extremos da praça. Do lado oposto, o edifício do Banco de Portugal.

⭐ Rua Cinco de Outubro
Uma das ruas mais tradicionais da cidade, repleta de lojas de artesanato, produtos regionais e doces conventuais. 
Nesta rua empedrada, típica de Portugal, temos o primeiro contato com o casario eborense. Por aqui, ainda que timidamente, as vizinhas ainda se falam de janela para janela enquanto se areja a casa.
É uma das ruas mais comerciais de Évora.

Embora muito direcionada para o turista, por ser aqui que se reúne grande número das lojas de souvenirs, onde encontramos o artesanato regional típico aliado às novas formas de expressar a regionalidade pela mão de artesãos que inovam nos materiais e na criatividade. Também encontramos as célebres queijadas de Évora, um doce conventual típico da cidade.
⭐ Sé Catedral de Évora
A maior catedral medieval de Portugal. A igreja é um orgulho dos eborenses. Fundada pelos romanos, como atesta o belo templo que domina o Largo do Conde de Vila Flor.
Mais conhecida por Catedral de Évora ou Sé de Évora, o seu verdadeiro nome é Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção.

Construída entre os séculos XII e XIII, combina elementos românicos e góticos, com traços militares característicos da época da Reconquista (a luta dos cristãos para expulsar os muçulmanos, no século XII).
O interior reúne três naves majestosas, claustro gótico e um museu de arte sacra. O edifício passou por várias fases de restauro, renovações e adições que estão patentes nos elementos arquitetônicos: o estilo plateresco vindo de Salamanca na Capela do Esporão, a talha dourada barroca, os mármores esculpidos, as madeiras nobres do coro-alto.
Os terraços oferecem uma das vistas panorâmicas mais bonitas da cidade.
⭐ Templo Romano de Évora
Símbolo máximo da cidade, que erroneamente foi chamado de Templo de Diana durante muito tempo. A confusão explica-se, talvez, devido a uma lenda criada no século XVII que associava a construção do “Templo de Diana” em Évora em honra da deusa romana da caça.

É o ex-líbris da cidade, uma espécie de cartão-de-visita, tão conhecido como a Capela dos Ossos.
Erguido no século I d.C. em homenagem ao imperador Augusto, é um dos templos romanos mais bem preservados da Península Ibérica, tendo sido considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1986.


Ao lado, o Jardim Diana e o Miradouro do Jardim Diana completam o cenário com romantismo e vistas amplas. Ao norte encontra-se o aprazível Miradouro do Jardim Diana, um convite ao romantismo; ao sul, o Museu de Évora com um acervo eclético de mais de duas dezenas de milhar de peças.

⭐ Museu de Évora
Instalado no antigo Palácio Episcopal, reúne coleções de arqueologia, arte sacra, pintura, escultura e peças romanas. É um dos museus mais importantes do Alentejo.

⭐ Palácio Cadaval e Capela dos Lóios

O Palácio Cadaval, construído sobre antigas muralhas, é um marco da nobreza portuguesa.
Na sua origem, o Palácio dos Duques de Cadaval tinha como nome Palácio da Torre das Cinco Quinas.

Foi construído, em parte, sobre as romano-visigodas Muralhas de Évora, que faziam parte do antigo Castelo de Évora. Junto à Torre de Évora, o fidalgo descendente da coroa portuguesa Martim Afonso de Melo, servidor do Mestre de Avis, mandou construir este edifício.

O Ducado do Cadaval foi criado pelo rei Dom João IV em 1648, dia em que nasceu o infante Dom Pedro, futuro Dom Pedro II, rei de Portugal.

Dedicada a São João Evangelista, a Capela dos Lóios integra o conjunto arquitetônico do Palácio dos Duques de Cadaval, erguido sobre as ruínas da praça forte dos mouros. A tribuna era utilizada pelos duques para assistir às missas.
Os azulejos foram acrescentados à Capela dos Lóios no século XVII.

A decoração do interior impressiona pelo espetacular revestimento azulejado historiado. Este revestimento contrasta com o branco das abóbadas e destaca-se de forma extraordinária devido à incidência da luz natural que vem das janelas laterais.


A Igreja de São João Evangelista, ou Igreja dos Lóios, colada à luxuosa Pousada dos Lóios, faz parte do complexo palaciano do Palácio Cadaval, que adiciona mais um toque de monumentalidade ao local com os torreões fortificados, com destaque para a Torre das Cinco Quinas. O amplo pátio acolhe eventos e tem restaurante.

⭐ Porta de Moura e arredores

A região entre a Sé e a Porta de Moura é uma das mais agradáveis para caminhar.
Casas antigas, ruas estreitas, o Chafariz das Portas de Moura e a janela manuelina da Casa de Garcia de Resende compõem um cenário encantador.

⭐ Igreja da Graça
Um dos mais belos exemplos do renascimento português, com fachada monumental e detalhes arquitetônicos impressionantes.
⭐ Praça 1º de Maio e Igreja de São Francisco
Na praça está o motor da vida matinal de qualquer lugar. A praça reúne cafés, restaurantes e o Mercado Municipal.
Avançamos caminho e dirigimo-nos à Praça 1º de Maio, por entre soalheiras, esplanadas dos cafés e restaurantes que a circundam e convidam a uma pausa para almoço. Tempo para admirar a fachada imponente da Igreja de São Francisco nesta praça com vista desafogada. A igreja de estilo gótico‑manuelino é uma das mais importantes de Portugal.
Mercado Municipal 

O Mercado Municipal acompanhou os tempos e modernizou-se. Quem procura produtos típicos regionais ou frescos, vai certamente encontrá-los numa das lojinhas de portas abertas para a praça ou nas bancas interiores. Se quiser aproveitar, programe a visita para a parte da manhã neste primeiro dia do roteiro de Évora.
Igreja de São Francisco

A Igreja de São Francisco é, sem dúvida alguma, uma das mais belas e mais grandiosas igrejas de Portugal e, claro está, da cidade de Évora.

Quem se aproxima da cidade de Évora é brindado com a vista da altiva Sé Catedral e da alva Igreja de São Francisco recortadas no horizonte de uma suave colina da vasta planície alentejana.

Este templo religioso de estilo gótico-manuelino foi construído entre os anos de 1480 e 1510. A decoração coube aos pintores régios Francisco Henriques, Jorge Afonso e Garcia Fernandes.

A Igreja de São Francisco está profundamente ligada à história de Portugal, mais precisamente aos acontecimentos que marcaram o período da expansão marítima. Esta ligação pode verificar-se nos símbolos da magnífica nave de abóbada ogival: a cruz da Ordem de Cristo e os emblemas dos reis fundadores, D. João II e D. Manuel I.
Foi antigo convento franciscano; do original em estilo românico, pouco resta. É a partir do final do século XV que ganha importância com os privilégios régios que lhe foram sendo adicionados tanto em termos decorativos como de utilização — foi inclusive chamado de Convento de Ouro, tal o fausto e riqueza com que a realeza o decorava.

⭐ Capela dos Ossos
Um dos monumentos mais famosos de Évora. Visitar Évora sem visitar a Capela dos Ossos é como ir a Roma e não ver o Papa, ir a Paris e não subir a Torre Eiffel.😏
Construída no século XVII, tem paredes e teto revestidos de ossos humanos, transmitindo a mensagem da transitoriedade da vida.

A Capela dos Ossos foi edificada no século XVII por iniciativa de três frades franciscanos, cujo objetivo era transmitir a mensagem da transitoriedade e fragilidade da vida humana.

Prepare-se para um cenário que faz ganhar consciência da efemeridade da vida. Afinal, paredes e teto abobadado estão forrados de ossos. 
Com crânios a rebocar as paredes e cruzes feitas de fêmures, está entre os mais estranhos cômodos das tantas igrejas medievais.
Esta mensagem é claramente passada aos visitantes logo à entrada, quando somos recebidos por uma frase que ficará gravada para sempre na sua memória. “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. 

Mostra, no fundo, o macabro gosto do homem barroco pela necrofilia. Não somos eternos, e este é um lugar que nos alerta como a vida é só uma passagem.
É a segunda atração turística mais visitada de Évora. Um pouco sombria, é verdade, porém, com uma simbologia de grande peso. Terminamos o primeiro dia deste nosso roteiro de Évora com pensamentos filosofais.

⭐ O que visitar em Évora — Dia 2


Se você tiver mais um dia disponível para visitar Évora, neste seu segundo dia, aconselhamos a usar calçado confortável, pois este roteiro de Évora não vai ser tão restrito.
⭐ Termas Romanas
Desviamos ao Largo do Sertório para vermos um achado milenar. Falamos das Termas Romanas de Évora, espaço de banhos, de convivência social e onde se tratava de negócios. Localizadas no edifício da Câmara Municipal — o Palácio de Condes de Sortelha ou Paços do Concelho —, foram descobertas no século XX e revelam a importância de Évora na época romana.
⭐ Igreja do Antigo Convento do Salvador
A igreja barroca colava com o convento das freiras clarissas. A Torre-Mirante foi integrada ao mosteiro e fazia parte da antiga cerca velha da cidade. 

⭐ Arco Romano de Dona Isabel e Universidade de Évora
O arco marca a presença romana na cidade.
O Seminário Maior de Évora, a Igreja do Espírito Santo e o Colégio do Espírito Santo são o maior conjunto de edifícios que compõem a instituição de ensino superior.
O destaque vai ao Colégio do Espírito Santo, cujo claustro sobressai pela beleza escultórica das arcadas, chafariz e colunatas em pedra mármore e, acima de tudo, pelo impressionante pórtico que rouba todas as atenções.

⭐ Caixa de Água da Rua Nova
Dirigimos-lhe o convite a caminhar por uma das regiões desta apaixonante cidade alentejana. Percorrer a Rua do Cano é ver uma Évora mais autêntica, onde a vida ainda corre ao ritmo característico das gentes que lhe dão alma. 
Um dos elementos mais curiosos da cidade: o aqueduto, com linhas simples e função prática, integra-se ao casario, com arcos que se transformam em portas de casas.

⭐ Porta de Aviz e Porta do Raimundo
Continuamos a descer a Rua do Cano em direção à Porta de Aviz. Portas históricas das muralhas de Évora, perfeitas para compreender a estrutura defensiva da cidade.
⭐ Jardim Público e Ruínas Fingidas
Espaço agradável para descansar, com o Palácio de Dom Manuel ao fundo e elementos arquitetônicos cenográficos.
O Palácio de Dom Manuel foi um Paço Real e sobressai pelas influências mudéjares patentes nas varandas em arco que contemplam o jardim que o envolve.

⭐ Évora e arredores

⭐ Cromeleque dos Almendres
O maior conjunto megalítico de Portugal, conhecido como o “Stonehenge português”.
Um dos sítios arqueológicos mais importantes da Península Ibérica.

Avisamos já que está numa das regiões mais ricas em megalitismo de Portugal e não vão faltar menires, antas e cromeleques para satisfazer a curiosidade.

⭐ Évora Monte
Vila medieval situada no alto de uma colina, com ruas estreitas, casas brancas e o imponente Castelo de Évoramonte, de arquitetura militar renascentista.
A pitoresca e deliciosa freguesia de Evoramonte ou Évora Monte está situada entre as cidades de 
Évora e Estremoz. Outrora de elevada importância geográfica e militar, esta vila alentejana, cujas muralhas ainda protegem os seus habitantes, aguarda os visitantes com inúmeras histórias para lhes contar.
Da mesma forma que, em outras vilas alentejanas como Marvão e Monsaraz,  Evoramonte do alto da colina praticamente parou no tempo.
Chegar lá em cima pode ser um desafio se for a pé, mas essa vontade instala-se nos mais ousados quando se vê o castelo desde a estrada, para quem vem de Évora ou de Estremoz.
Se decidir subir de carro, deixe-o fora das muralhas, na Porta de São Sebastião, para poder entrar na vila como o fizeram os portugueses ao longo da maioria dos séculos.
A vila é pequena, mas bonita e singular. O seu tamanho é um bom motivo para percorrer todas as ruas e recantos com atenção aos pormenores. Eles surgem por todo o lado em Évoramonte, seja um ornamento, uma porta ou janela claramente alentejanos, uma inscrição na parede, um paciente gato a descansar num lugar estratégico…
Por onde quer que caminhe em Evoramonte, vai encontrar simples casas brancas, tradicionalmente pintadas com cal branca e, muitas vezes, com os coloridos rodapés, contornos de portas, janelas e frisos amarelos ou azuis típicos do Alentejo.

⭐ 
Castelo de Évoramonte


O Castelo de Évoramonte, contrastando com a leitura da aparente fragilidade da espessura das muralhas, devido à sua extensão, impõe-se cinco imensos bastiões de desenho italiano, de traçado cilíndrico.
Foi desenvolvido em grande conformidade com as novas teorias de defesa com artilharia, que se desenvolviam na Europa do Sul, em especial no Norte da Itália. 

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