Cidades Históricas de Minas | Mariana

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Neste roteiro pelas Cidades Históricas de Minas Gerais, visitaremos a cidade de Mariana, de grande importância histórica por ser a mais antiga cidade de Minas Gerais (1696) expressivo marco da arquitetura colonial.
Situada no coração de Minas Gerais, a lista de o que fazer em Mariana envolve muita história e cultura. Afinal, a cidade que foi fundada em 1696 como Arraial Nossa Senhora do Carmo foi a primeira vila, cidade e capital de Minas Gerais.
Seu rápido crescimento foi resultado da descoberta de uma grande quantidade de ouro na região. Posteriormente, passou a se chamar Mariana, em homenagem à Maria, esposa do Rei de Portugal, Dom João V. Foi uma das primeiras cidades planejadas do país, fato que fica evidente em seu traçado urbanístico, composto por ruas retilíneas e praças retangulares.
Mariana é hoje uma das mais importantes cidades do Circuito do Ouro. Guarda, junto com seus distritos, interessantes relíquias do tempo em que começou a ser desenhada a história das Minas Gerais
Quando ir
No inverno as temperaturas caem bastante. A topografia da região, muito montanhosa e escarpada, propicia a formação de bolsões de ar frio e neblina. O fenômeno é bastante visível ao amanhecer. A névoa confere ainda mais magia ao acervo histórico. O inverno é tempo de estiagem, de agasalhos de lã e de uma boa cachaça.
Independentemente da estação o turista deve levar agasalho. Minas Gerais tem clima relativamente frio quando comparado a outros estados brasileiros, excetuando-se os do sul. Em Mariana as duas estações (verão e inverno) são bem delimitadas.
Dica: Uma boa época para visitar Mariana é em festas, como Semana Santa e Carnaval. Toda a região mineradora da qual faz parte é famosa pela força de suas manifestações folclóricas. Quem prefere tranquilidade deve evitar estas datas. Turistas chegam de todas as partes do mundo durante o ano inteiro. Afinal, aqui nasceu Minas Gerais!

Como Chegar
A cidade de Mariana é facilmente acessível de carro ou ônibus, tanto de Belo Horizonte, quanto de Ouro Preto.
Dado que Mariana não possui aeroportos, a alternativa mais próxima é o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (CNF), localizado em Confins.
A seguir, apresentamos as principais formas de chegar a Mariana, conforme o meio de transporte escolhido:

De Carro
Para chegar a Mariana a partir de Belo Horizonte (115 km), siga de carro pela BR-356 (Rodovia dos Inconfidentes), em uma viagem de cerca de 2 horas e meia. 
Saia de Belo Horizonte pela BR-040 em direção ao Rio de Janeiro e entre no trevo para Ouro Preto na BR-356.
Siga pela Rodovia dos Inconfidentes (BR-356) passando por Ouro Preto até chegar a Mariana.
A partir do Rio de Janeiro (412 km), o trajeto recomendado é seguir via BR-040 em direção a Belo Horizonte. Em Conselheiro Lafaiete (MG), faça o desvio para a Rodovia MG-129 em direção a Ouro Branco. Depois, siga pela mesma rodovia até Mariana, passando por Ouro Preto. Essa viagem tem uma duração aproximada de 6 horas.
Para quem vem de São Paulo (a cerca de 640 km), o caminho padrão utiliza a Rodovia Fernão Dias (BR-381) até proximidades da região central mineira e acessos combinados.

De Ônibus
De ônibus, as saídas diárias da Rodoviária de BH levam cerca de 2 horas e 15 minutos.
A empresa responsável pelas linhas diretas entre a Rodoviária de Belo Horizonte e o Terminal Rodoviário de Mariana opera partidas frequentes todos os dias.
Se estiver a visitar Ouro Preto, o trajeto até Mariana é muito curto (cerca de 12 km a 15 km), sendo feito rapidamente por ônibus locais ou táxis em menos de 30 minutos.

Apesar de serem estradas estaduais, nem sempre bem conservadas, esta opção oferece a oportunidade de explorar o interior mineiro e passar por lugares como Congonhas e Ouro Preto antes de chegar a Mariana. Este trajeto também possui duração aproximada de 9 horas, embora percorra uma distância menor.

De ônibus
Viajar para Mariana de ônibus é relativamente fácil, apesar da limitada oferta de linhas e empresas que realizam esse trajeto.
Abaixo, listamos as opções de ônibus provenientes das principais capitais até Mariana.
De Belo Horizonte: a Pássaro Verde oferece uma ampla variedade de horários de ônibus, em viagens que duram aproximadamente 2h30 (a partir de R$60);
Do Rio de Janeiro: não há ônibus diretos entre as duas cidades. Portanto, é necessário viajar primeiro para Belo Horizonte. Essa viagem, que dura cerca de 8 horas, pode ser feita tanto com a Viação Guanabara quanto a Cometa (a partir de R$135). Além disso, há horários disponíveis via Buser;
De São Paulo: a Viação Guanabara oferece apenas um horário diário de ônibus com destino a Mariana. A viagem tem duração aproximada de 13h30 (a partir de R$165). 

De tranfer
Outra opção para chegar em Mariana é por meio de um transporte particular, como táxi, Uber ou transfer privativo.
Essa é uma boa alternativa para quem desembarca no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (CNF) e não quer alugar um carro e nem ir até a rodoviária de Belo Horizonte para pegar o ônibus. Ou seja, perfeito para quem busca conforto.
Partindo do aeroporto são aproximadamente 160 km até Mariana em uma viagem de cerca de 2h20. 

O que ver

Catedral Basílica da Sé ou de Nossa Senhora da Assunção
De arquitetura singela, bem ao estilo das primeiras construções religiosas de Minas Gerais. Faz parte do conjunto das mais ricas e importantes igrejas mineiras. Teve suas obras iniciadas no princípio do século XVIII, com o erguimento da primitiva Capela de Nossa Senhora da Conceição.
Depois de sucessivas ampliações foi concluída em 1760. Se por fora o prédio tem um aspecto sólido e sóbrio, por dentro impressiona pela riqueza de sua ornamentação. Merece destaque o cadeiral dos cônegos (com pinturas de inspiração oriental), o lavabo da sacristia (atribuído a Aleijadinho) e o órgão Arp Schnitger. O concertos na Catedral são uma atração imperdível. 
📍Praça Cláudio Manoel ou da Sé

Igreja São Francisco de Assis
Nesta  igreja estão os restos mortais de Mestre Ataíde (sepultura 94, no chão), nascido em Mariana. São do artista as pinturas da nave e da sacristia, além das três imagens da Paixão (tabernáculo, altar-mor e altar de Santa Isabel).
Os púlpitos em pedra-sabão são atribuídos a Aleijadinho, que deixou clara sua influência nas sineiras e risco da fachada. A sua construção se estendeu de 1762 a 1794 e contou com a participação do mestre de obras José Pereira Arouca

Nossa Senhora do Carmo
Esta igreja surgiu a partir de um pequeno templo erguido em 1759. As suas obras foram iniciadas em 1783, mas somente concluídas no século seguinte. Na fachada o escudo possui três estrelas, representando os três grandes santos carmelitas: profeta Elias, a mística Teresa d'ávila e Simão Stock.
Simão Stock era um nobre que aderiu à ordem e aparece na pintura da nave, porque recebe um escapulário com a missão de espalhar no ocidente a devoção à Virgem do Carmo
A igreja foi quase completamente destruída por um incêndio em janeiro de 1999, quando sua restauração total estava prestes a ser concluída.
O teto, pintado pelo famoso mestre Francisco Xavier Carneiro, desabou. O altar-mor não foi consumido pelas chamas. A fachada, o telhado e as paredes internas foram recuperadas, minimizando a perda irreparável das pinturas. 
📍Praça Minas Gerais.

Igreja Nossa Senhora do Rosário
A Igreja Nossa Senhora do Rosário é uma das mais belas da cidade. Começou a ser construída em 1752, pela irmandade dos negros, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia.
Crédito: Roberta Soriano
De 1823 a 1826, o Mestre Ataíde fez as pinturas e o douramento do altar-mor e altares laterais. Também participou da ornamentação o artista Francisco Vieira Servas.

Igreja São Pedro dos Clérigos 
É bem perceptível a influência italiana nessa igreja da segunda metade do século XVIII. O traçado poligonal e ovalado marcam bem esta característica. Não se sabe quem foi o autor e executor do projeto. A suas obras permaneceram paralisadas por mais de um século. O exterior é imponente e se encaixa perfeitamente no conjunto paisagístico ao seu redor.
O interior é bem simples e teve seu acervo de artes sacras transferido para o Museu Arquidiocesano. Merece destaque o altar-mor em cedro e um dos maiores santos-do-pau-oco de Minas de Gerais

Dica: É permitido subir à torre, onde se tem uma bela vista de Mariana
📍Largo de São Pedro.
 
Casario e arquitetura
Casa da Câmara e Cadeia
No local existiu o Quartel dos Dragões, guarda que servia aos governadores da capitania. Depois foi construído – na segunda metade do século XVIII – um imponente prédio, onde foi instalada a Casa da Câmara, tendo na frente um pelourinho. No andar térreo funcionava a cadeia
Pelourinho
Estas construções serviam como Marcos de Jurisdição. Neles eram castigados os infratores. O pelourinho original de Mariana foi executado por José Moreira Matos em 1750 e demolido em 1871. O atual foi construído na década de 1970. Tem no alto um globo simbolizando as conquistas marítimas portuguesas. O braço esquerdo sustenta uma balança, representando a justiça. O direito segura uma espada, ou seja, a condenação. Ao centro está o Brasão Português. 

Os chafarizes eram pontos de encontro da população, uma vez que representavam a maneira mais prática de se obter água naquela época. O movimento durante todo o dia era intenso.

Chafariz São Francisco
Esta antiga e sólida construção bem ao lado da Praça Gomes Freire era reduto da elite marianense. Ao lado está a casa que pertenceu ao Conde de Assumar que, depois viria a ser o primeiro bispo de Mariana. A sua arquitetura bem trabalhada denota sua importância, simbolizada também pela coroa e brasão esculpidos no frontão.

Chafariz São Pedro
Chafariz São Pedro tem linhas rústicas, denunciando que fora mais utilizado pelas pessoas comuns e menos abastadas. 
📍Localizado no Largo de São Pedro.

Praça Gomes Freire
Um dos locais mais agradáveis de Mariana, cercado por casario do século XVIII.
O lugar era antigamente utilizado para cavalhadas e touradas, festas religiosas e reais.
Ainda existe um bebedouro para os animais, construído no governo do Conde de Assumar.
 
Museu de Arte Sacra de Mariana

Foi fundado em 1962, pelo Arcebispo Dom Oscar de Oliveira. Está instalado na Casa Capitular, um dos mais belos edifícios rococós do Brasil do final do século XVIII e início do século XIX, cuja construção ficou sob a responsabilidade de José Pereira Arouca, mas por iniciativa dos Cônegos da Sé. O acervo existente na instituição foi trazido de paróquias, igrejas, capelas, seminários, do Palácio Episcopal, da Arquidiocese de Mariana, e outros adquiridos através de doações e legados.

Mina da Passagem
A Mina da Passagem é a atração mais imperdível em Mariana.

A Mina da Passagem, localizada em Mariana, Minas Gerais, é a mais importante e mais antiga Mina de Ouro do Brasil.
O que se lê nos livros sobre a exploração do ouro em Minas Gerais pode ser visualizado na Mina da Passagem. Visitá-la é como viajar pela história, vivenciando a saga e a sina perigosa dos homens que procuravam pelo ouro no interior das montanhas mineiras.
Desta mina foram retiradas aproximadamente 35 toneladas do precioso metal, desde o início de suas atividades, na primeira metade do século XIX, até 1984. Possui amplos salões, 30 quilômetros de túneis e lagos subterrâneos de águas cristalinas, onde é praticado o mergulho em caverna.
Um pequeno trolley (espécie de vagão com bancos), usado pelos mineiros na época da exploração do ouro, leva o turista a mais de 120 metros de profundidade, onde se vê um maravilhoso lago natural.
A temperatura no seu interior é estável durante o ano todo (entre 17 a 20 graus). O cenário da Mina da Passagem guarda segredos e mistérios que impressionam e encantam a todos.
A maior Mina de Ouro do Brasil é aberta à visitação pública. Para maiores informações e saber como visitá-la, acesse o site:https://mariana.minasdapassagem.com.br/#conheca.

Onde Comer
Lua Cheia
Um convite ao bom gosto e aos prazeres da boa comida. Instalado em um casarão do século XIX, o Lua Cheia mescla preservação do passado com o conforto e requinte do presente. Comida a quilo com churrasco. Grande variedade em saladas e pratos quentes. Culinária típica mineira. Sobremesas caseiras e sorvetes. 

Bistrô Restaurante
Bistrô é um lugar para se passar bons momentos com amigos e Bistrô Restaurante cumpre bem este papel. Em funcionamento há mais de duas décadas (deste 1999) é um pequeno lugar para se desfrutar de bebidas e bons pratos.  
Atualização: Em 2023, o Bistrô Restaurante foi passado para novos donos. 
Se você está visitando Mariana, não deixe de visitar também as demais cidades que fizemos no percurso intitulado Roteiro das Cidade Históricas de Minas Gerais, como São João del Rei, Ouro Preto, Tiradentes e Congonhas.

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