Cáceres | Espanha
10:42Você já pensou em visitar Cáceres? Pois saiba que vale a pena incluir
este destino de viagem na sua lista de desejos. Descubra tudo sobre a
encantadora e antiga Cidade de Cáceres num roteiro de 1 dia, para aquela viagem
em família, escapadinha romântica, ou para viajar com amigos.
Neste artigo, além dos pontos de interesse mais emblemáticos, reunimos dicas do que ver
e fazer de dia e viver à noite em Cáceres. Mapa turístico incluído!
Quando visitar?
A melhor época do ano para visitar Cáceres é
durante a primavera e outono. Os verões são mais difíceis que os invernos, portanto, diríamos que Cáceres é um bom destino de férias entre setembro e
junho. O calor do verão da Extremadura é inclemente, principalmente em julho e
agosto com temperaturas bem acima dos 30ºC.
Na primavera, as temperaturas amenas são perfeitas
para assistir ao grande evento com fama internacional, a Semana Santa de Cáceres. Não esqueçamos o WOMAD Cáceres, o Festival de Música, Arte e Danças do Mundo
criado por Peter Gabriel, que todos os meses de maio junta locais e turistas na
maior fiesta espanhola de tolerância e multiculturalidade em torno da música.
Junte a Festa das
Cerejeiras em Flor, “todo un elogio a los sentidos”, e tem aqui três
boas razões para optar por uma viagem a Cáceres na primavera.
O outono é uma boa época do ano para usufruir do
imenso potencial de atividades outdoor que a região oferece, por exemplo no
belíssimo Parque Nacional
de Monfragüe, um dos melhores paraísos naturais da Espanha.
Os invernos não são muito frios com mínimas a
rondar os 5ºC, portanto, não descarte esta época do ano para visitar Cáceres.
Pode sempre vir a calhar numa escapadinha de fim de semana.
O Melhor de
Cáceres num roteiro de 1 dia
Conhecida como a cidade medieval mágica da
Extremadura, visitar Cáceres é ser transportado à Idade Média numa máquina do
tempo feita de muralhas, torres e palacetes monumentais. Uma experiência
completa se for na época da Feira Medieval em que a Cidade Antiga de Cáceres
se transfigura.
Cáceres passa despercebida na rota turística das
cidades espanholas muito devido ao seu tranquilo ritmo de vida. As pessoas
procuram a fotogenia de Barcelona, a informalidade de Sevilha ou a vida noturna descomplicada de Benidorm. Resultado?
Muitos perdem o carácter autêntico desta Espanha tão diversa e singular que se esconde na desconhecida Extremadura.

Não espere o plateresco ornamental de Salamanca. Contudo, o que lhe falta em
estética, é mais do que compensado pelo valor histórico. Muito do que nos
rodeia é anterior ao Renascimento, daí a sobriedade da arquitetura. Intriga-nos
como uma cidade tão antiga conseguiu sobreviver ao desafio dos tempos. O que já
não nos surpreende é o fato de ter sido escolhida para cenário da afamada
série Guerra dos Tronos.
Cáceres teve um papel de peso nas descobertas das
Américas e está estreitamente ligada a uma das mais históricas rotas ibéricas:
a Vía de la Plata. A via milenar romana ligava Sevilha a Astorga e sempre foi utilizada pelos peregrinos que se dirigiam
a Santiago de Compostela. A Vía de la Plata é tida como um dos Caminhos de Santiago mais
exigentes.
O que visitar em
Cáceres?
Percorremos esta cidade
com todos os nossos sentidos em alerta para não perder um único detalhe e hoje
vamos contar um pouco sobre esta cidade, o berço dos conquistadores, diz a
história, e temos que nos render às evidências, porque é muito difícil respirar àquela atração que surge dentro de suas paredes e não ser conquistada. Vamos então perambular pelas estreitas e silenciosas
ruas de Cáceres. Desembocar em praças magníficas e viajar no tempo, pois parece
que os tempos modernos passaram ao lado desta fortaleza viva.
A Cidade Antiga de Cáceres é perfeita
para visitar a pé. As estreitas ruas enredadas desfiam por entre mansões e palácios renascentistas e vestígios do enorme legado histórico romano, árabe e judaico.
Tudo emoldurado por sólidas muralhas do século XII e mais
duma vintena de torres, a maioria habitada por cegonhas que já se tornaram num símbolo de
Cáceres.
Grande parte dos pontos de interesse mais
emblemáticos de Cáceres estão na Plaza Mayor e suas arcadas, onde apetece procurar a
sombra.
Somos logo surpreendidos pelos monumentos históricos, a Ermida da Paz, o Ayuntamento e o Arco de la Estrella, que fura as muralhas para nos dar entrada.
Olhe para cima e descubra as torres de Cáceres: a Torre de Bujaco, Torre de Hierba e Torre dos Púlpitos.
Mais à frente vamos ver outras como, a Torre Redonda, Torre do Horno, entre
outras, e a Torre das
Cegonhas, a única que a rainha Isabel, a Católica, deixou
ficar com as ameias.
Na Plaza de Santa Maria vemo-nos rodeados de belos palácios e solares abrasonados renascentistas, com adornos de que as casas fortificadas, mais próximas das muralhas, estão privadas. Entre eles está o Palácio Episcopal de Cáceres com bonito pórtico em arco redondo.Muitos dos solares e palácios foram transformados
em hotéis de luxo, caso do Parador de Cáceres, e restaurantes requintados, como o Atrio Restaurante Hotel com
2 estrelas Michelin.
Palacio de Mayoralgo o Mayorazgo
Na atualidade no interior de este magnífico Palacio
se encontra a sede central da Caixa da Extremadura.
Segunda a sexta-feira das
8:30 às 14:00
Localizado na Plaza de San Juan, foi construído em estilo renascentista pela família Espadero no século XV(1519), tornando-se propriedade da família Ovando no século XVII e reformada no séc. XVIII. Tem na porta um
arco de médio ponto, com arquivoltas e pilastras em alto relevo sobre plintos.
Na sua fachada podemos ver os brasões de armas de Espadero, Saavedra, Ovando e Torres.Hoje em dia, e após uma importante reforma, tornou-se um edifício de apartamentos.
Palacio de Carvajal
Localizado na Calle
Amargura, ao lado da Co-Catedral de Santa María. Foi erguido entre os séculos XV e XVI. É um edifício que tem
elementos góticos e renascentistas. A fachada principal é em alvenaria de granito e destaca-se o seu portal em arco semicircular. Acima está o brasão da família Carvajal. Dentro
da casa há um claustro retangular, com arcadas em colunas.
Salienta-se também a sua torre redonda, do século XII, assente em pequenos silhares, na sua base encontrava-se a capela do palácio decorada com alguns interessantes frescos.Recomendações: O seu jardim é de visita obrigatória, do qual há que salientar a figueira, um claro exemplo dos espaços verdes interiores que podem ser encontrados hoje em dia nestes edifícios da Cidade Monumental.
Acesso livre de 08:00 às 21:15 h
A Catedral de Santa Maria nem
precisa ser indicada como imperdível. O templo gótico marca presença na plaza e clama
pela nossa atenção e visita.
A Iglesia de San Francisco Javier, ou Iglesia de la Preciosa Sangre, domina
sobre a Plaza de San
Jorge, padroeiro da cidade.
Este conjunto de Igreja e Colégio construído pela Companhia de Jesus no século XVIII, seguindo o estilo barroco, preside a um grande espaço no centro da Cidade Monumental.

Este conjunto de Igreja e Colégio construído pela Companhia de Jesus no século XVIII, seguindo o estilo barroco, preside a um grande espaço no centro da Cidade Monumental.
A fachada da igreja tem um arco semicircular e um
nicho que abriga a imagem de São Francisco Javier e é ladeada por duas torres
quadradas, de cor branca, encimadas por uma pirâmide.
O interior é de nave única, com capelas laterais e
cúpula sobre o transepto. O retábulo-mor tem colunas coríntias emoldurando uma
tela que representa o “Milagre do Caranguejo”, assinada pelo pintor napolitano
Paolo de Matteis.
Horário: de segunda a domingo das 10h00 às 13h30. e
das 17h às 20h.
Taxa de acesso ao Templo, Museu e Torres:Geral: € 1,50
Dica: Suba a escadaria até ao topo do campanário para uma
das melhores vistas panorâmicas sobre os telhados de Cáceres, particularmente
sublime ao fim do dia.
Atente ao Palacio de los Golfines de Abajo destaca-se
como um dos exemplos arquitetônicos mais atrativos de Cáceres.
No seu interior pode visitar os três pisos em que
se distribui o palácio. Em seu primeiro andar, o museu abriu em 2015, o legado
de Doña Tatiana Pérez de Guzmán el Bueno e Seebacher. A fundação, que leva o
seu nome, está a cuidar do restauro do palácio e da preservação deste
patrimônio que, para além de ser um pouco de tudo, mais do que merece ser
visitado.
Entre as salas do seu segundo andar encontramos a sala de armas e o
pátio, onde expõe, entre outros, arcos com os brasões dos Golfinos, canhões do
século XVI e uma lápide com a inscrição "Aqui os Golfinos esperam para o
dia do juízo". Ao último andar
subimos por escadas e galerias onde brilham os escudos heráldicos de títulos e
linhagens familiares.
As visitas são com horário marcado, todas guiadas e não é permitido tirar fotos, com exceção da sala de escudos heráldicos de títulos.
Palacio de los Becerra
Mandado construir em estilo gótico, por Luís de Becerra, esta imponente casa de finais do
séc. XV e início de séc. XVI concentra todos os elementos típicos das
fachadas dos palacetes de Cáceres:
- porta principal em arco semicircular com
aduelas compridas,
- janela com colunas geminadas nas
laterais,
- brasões com os quartéis de Becerra, Paredes,
Ribera e Orellana , sobre bandeiras cruzadas e elmo de cavaleiro,
- um grande alfiz que emoldura toda a
fachada
- e rematado com duas gárgulas.
Da Plaza de
San Jorge pode-se subir até a Plaza
de San Mateo.
A Plaza de San Mateo está localizada na parte mais alta da cidade, compartilha privilégios com a Iglesia de San Mateo.
A Plaza de San Mateo está localizada na parte mais alta da cidade, compartilha privilégios com a Iglesia de San Mateo.
Convento San Pablo
O destaque dos diferentes edifícios
que compõem o convento é a igreja que segue modelos góticos em sua cobertura.
No interior, o retábulo de clara
influência churrigueresco contém um conjunto de esculturas dedicadas à
conversão de São Paulo.
Em seus primórdios foi governado por
freiras da Ordem Terciária de São Francisco, mas desde meados do século 20,
freiras clarissas residiam.
Dica:
Neste convento de freiras de clausura pode-se comprar famosos doces artesanais.
Horários: 9:00-13:00
17:00-19:45
Passando primeiro pela Calleón de la Monja, onde encontramos a Casa del Sol, conhecida por este nome devido ao símbolo solar de 16
raios que adorna o brasão dos Solís
(a família que os mandou construir).
Edifício medieval que sofreu várias reformas,
visíveis na cobertura e na escadaria interior e palco de "La
Celestina". Continuando pelo beco, encontraremos a Casa del Águila e o Palácio
de los Saavedra, com sua Torre de Sande, que surge vegetal e poderosa, conservando sua
antiga galhardia apesar de ter sido decepada.
Vá ao encontro do Bairro Judeu até à Plaza de las Veletas passando pela Torre de las Cigüeñas.
Não deixe de
dar uma espiadela no Museu de
Cáceres, um museu etnográfico cuja estrela é a cisterna
mourisca no interior.
Museu Provincial de Cáceres, e este, por
sua vez, esconde uma das maiores e mais bem conservadas cisternas do mundo.
Uma das jóias do museu, a cisterna árabe, ocupa, sob
o pátio, o centro da Casa de las Veletas.
Acredita-se que foi construído no século XI. Planta retangular, que tem cinco
naves cobertas por abóbada de berço e sustentadas por 16 arcos de ferradura que
formam quatro galerias. A cisterna configura um universo de abóbadas, colunas e
arcos que flutua no silêncio úmido das adegas.
Horário: Terça a
Sexta: 9h30 às 14h30 e 16h00 às 20h00
Sábados: 10h00 às 14h30 e 16h00 às 20h00
Domingos: 10h00 às 14h00 às 15h00
Preço: Cidadãos da União Europeia (com Documento de
Identificação): Livre
Cidadãos de outros países: Grátis aos domingos. Os
restantes dias, gratuitos para maiores de 65 anos e reformados.
A Ermita de San Antonio, erguida sobre
uma antiga sinagoga, quase passa despercebida na simplicidade da sua
arquitetura românica. Por perto encontra um fantástico miradouro,
o Baluarte de los
Pozos.
Na Cáceres muçulmana, provavelmente se distinguiriam três lugares de especial importância: a medina, que era o lugar onde se desenrolava a vida quotidiana; o albácar, onde o exército era treinado e a cidadela, residência dos altos dirigentes, do qual o Conjunto de los Pozos era uma extensão. O complexo de Los Pozos é composto por duas torres Albarana: a torre Aljibe, da qual pouco se vê hoje, e a torre Pozos, também conhecida como torre Gitano. Este último é o mais alto, pois está localizado em um esporão rochoso. As torres são unidas entre si e à muralha por vários muros, formando um espaço de planta trapezoidal que se estende na direção da ribeira do Marco.
Na Cáceres muçulmana, provavelmente se distinguiriam três lugares de especial importância: a medina, que era o lugar onde se desenrolava a vida quotidiana; o albácar, onde o exército era treinado e a cidadela, residência dos altos dirigentes, do qual o Conjunto de los Pozos era uma extensão. O complexo de Los Pozos é composto por duas torres Albarana: a torre Aljibe, da qual pouco se vê hoje, e a torre Pozos, também conhecida como torre Gitano. Este último é o mais alto, pois está localizado em um esporão rochoso. As torres são unidas entre si e à muralha por vários muros, formando um espaço de planta trapezoidal que se estende na direção da ribeira do Marco.
Caminhe pelo bem preservado Bairro Judeu, parte das
Rotas das Judiarias da Península Ibérica.
Judiaria Nova
Judiaria Nova
A Judiaria Nova se localizava muito perto da Plaza Mayor ou Praça do Mercado, entre as ruas Paneras e de la Cruz, em
direção à Rua Rios Verdes, ao
contrário da Judiaria Antiga, que se localizava dentro das muralhas.
Temos documentação relativa ao aluguer de
instalações na Plaza Mayor por pessoas de religião judaica que teriam os seus
negócios nesta área.
A sinagoga da Judiaria Nova situava-se no lugar da
capela do Palacio de la Isla,
convertida ao culto cristão no final do século XV.
Atualmente a antiga sinagoga é a sala onde se
celebram os casamentos civis municipais.
Segredos gastronômicos
Não saia de Cáceres sem trazer uma Torta de Casar. Não,
não é um doce, é um queijo amanteigado de ovelha, à semelhança ao Queijo
da Serra da Estrela. Guarde a casca
intacta do queijo. Num refogado de cebola e alho, cozinhe um pouco de carne moída, encha a casca,
leve ao forno quente 10 minutos e passe no pão. Depois diga-nos se gostou.
Se for doceiro e quiser ver uma “roda” de convento,
vá ao “torno” do Monasterio
Jerônimas de Cáceres e traga para casa delícias conventuais como tocinillos de
cielo, perrunillas, nevaditos e polvorones. As
receitas são seculares, e as monjas antes se tornariam mártires se revelarem os
segredos das receitas.
Quer aquela vista ou fotografia-postal onde Cáceres
se recorta sobre o horizonte? Então, terá que subir ao Mirador de San Marquino. De dia, os tons ocre das pedras reluzem
sob a luz do sol, ao fim do dia evoluem para dourado e à noite a cidade brilha
mais que a lua.
Cenário “Guerra dos Tronos”
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