O Castelo de Villandry não é dos mais históricos. O último dos grandes châteaux renascentistas a ser construído no Vale do Loire, não é conhecido pela sua arquitetura ou mobiliário, mas sim pelos jardins renascentistas mais famosos da França, atraindo visitantes do mundo inteiro.
Portanto, deixe este castelo para a sobremesa — ou para o dia em que a previsão do tempo disser que será mais ensolarado, pois já valeria a viagem mesmo que a região não tivesse os outros 299 e não sei mais quantos castelos. Sem dúvida uma das paisagens mais lindas que você vai ver na vida!
Um pouco de história
Construído em 1532 por Jean le Breton, Ministro das Finanças de Francisco I, o castelo nasceu sobre as fundações de uma antiga fortaleza medieval onde ocorreu a histórica Paz de Colombier (1189).
Além de entender de arquitetura, Jean le Breton – participara ativamente da construção do Castelo de Chambord – interessava-se pelas artes da jardinagem, as quais teve oportunidade de estudar durante o período em que foi embaixador em Roma. Assim, já quando da construção do Castelo de Villandy, empenhou-se na realização de belos jardins ornamentais às margens do Rio Cher, que deram notoriedade à propriedade mesmo fora do Vale do Loire.
Ao longo dos séculos, Villandry passou por diversos proprietários e transformações, incluindo reformas do Marquês de Castellane e a posse de Jérôme Bonaparte, irmão de Napoleão.
A virada definitiva aconteceu em 1906, quando o médico espanhol Dr. Joachim Carvallo e sua esposa Ann Coleman adquiriram a propriedade. Carvallo dedicou sua vida a restaurar Villandry e recriar seus jardins renascentistas com precisão histórica, substituindo os jardins ingleses por um conjunto monumental de jardins geométricos, hortas ornamentais, jardins de água e jardins do amor.
Hoje, Villandry é um dos castelos mais visitados do Loire, famoso por suas vistas panorâmicas — que podem ser apreciadas sem entrar no castelo, graças aos mirantes no alto da colina. Os jardins são a grande estrela, especialmente em dias ensolarados, quando revelam toda a sua beleza simétrica e colorida.
O que ver no castelo
Eu, particularmente, fui até lá especialmente pelos jardins, de forma que preferi deixar de lado os cômodos mobiliados para ter mais tempo de conhecer outras atrações no Vale do Loire.
Já na bilheteria, tirei a minha principal dúvida, para a qual não havia encontrado nenhuma resposta na internet: é possível ver os jardins do alto sem entrar no castelo? Sim, é possível ver os jardins do alto sem fazer a visita ao castelo.
Há observatórios no alto de uma colina que oferecem uma vista perfeita de toda a propriedade!
Ali você já terá uma visão de tirar o fôlego e terá certeza de que tomou a decisão correta ao visitar os Jardins de Villandry.
Do alto do terraço, é possível observar bem de perto os jardins decorativos do castelo, sendo que os mais próximos ao edifício são conhecidos por “jardins do amor”, representado, em quatro quadrados, o amor terno, o amor apaixonado, o amor volúvel e o amor trágico. 

Dali é possível fazer um passeio pelos bosques e visitar a estufa, chegando, em seguida, ao Jardim da Água: faixas de gramado verde impecável em torno de um enorme lago na forma de um espelho Luís XV, rodeado por uma cerca de tílias. 
É um local muito tranquilo, onde pude imaginar facilmente aquelas damas de vestidão fazendo seu passeio matinal.

Na sequência do trajeto sugerido, passamos pelo Jardim do Sol, o último construído no castelo, tendo por finalidade celebrar o centenário da recriação dos jardins renascentistas pelo Dr. Joachim Carvallo.
O Jardim do Sol foi desenvolvido a partir de um desenho do próprio, com três espaços verdes distintos:
- Quarto das Nuvens: com flores azuis e brancas,
- Quarto do Sol: em tons de laranja e amarelo, com um lago representando os raios do sol,
- Quarto das Crianças: com playground e macieiras.
Em seguida, passa-se pelo Jardim dos Simples, em estilo tradicional da Idade Média, consagrado às ervas aromáticas, culinárias e medicinais. O que mais gostei nesse jardim foram os arbustos trabalhados em topiaria, formando vários espirais verdinhos.
Por fim, avista-se a maravilhosa horta renascentista, composta por nove quadrados recheados com diversos padrões geométricos coloridos, formados por flores e vegetais. 
De cima do pequeno terraço coberto de parreiras (com uvas em setembro), tem-se a mais bela vista da horta com o Castelo de Villandry, em todo o seu esplendor, ao fundo.


A origem desse jardim remonta à Idade Média, quando os monges costumavam organizar as hortas das abadias em formas geométricas, especialmente a cruz. 

Além disso, entre os vegetais eram também plantadas roseiras, cujos botões eram utilizados para enfeitar as estátuas da Virgem Maria. 


Os jardins italianos também influenciaram as hortas ornamentais renascentistas, trazendo elementos decorativos como fontes, pérgolas e canteiros de flores.
A caminhada em meio à horta lindamente decorada e pensada para que cada legume colorido tenha seu papel nos desenhos formados é extremamente interessante. 
Encontramos alguns vegetais desconhecidos e outros, embora bem familiares, em cores e formatos nunca antes vistos por mim quando morava no Brasil.

As placas coloridas no lado de fora de cada quadrado indicam as espécies localizadas em cada forma geométrica, de forma que é possível se distrair por horas tentando identificar cada legume disposto na horta.
São 40 espécies de vegetais plantados a cada ano, sendo um plantio na primavera (que fica de março a junho) e um no verão (que fica de junho a novembro).Dá até para brincar de salada mista: pêra, uva ou maçã ...😂



O interessante é que a disposição dos vegetais é alterada a cada plantio, tanto para fins estéticos, quanto para garantir a rotação de culturas e evitar o desgaste do solo, que precisa mesmo de muito cuidado, pois desde 2009 é tudo orgânico nos jardins do Castelo de Villandry!




A vontade é de não ir embora nunca, ficar ali admirando aquilo tudo até cansar, se é que isso é possível, mas encerrado o passeio, você ainda pode explorar a loja de produtos de jardinagem e a lojinha de souvenirs.
Dentro da propriedade não há opções de alimentação, mas do lado de fora, em frente à bilheteria, há um restaurante para resolver a fome dos visitantes, chamado La Doulce Terrasse. Apesar de estar entre os castelos mais distantes de Paris, o Château de Villandry fica a apenas 20 minutos da cidade de Tours, uma das bases favoritas dos visitantes para conhecer o Vale do Loire.
Com um carro alugado, facilmente, chega-se até ele!
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