
Explorar os castelos do Vale do Loire é mergulhar na própria história da França. A região foi palco de acontecimentos marcantes — da Guerra dos Cem Anos à passagem de Joana d’Arc, da vida e morte de Leonardo da Vinci às conjurações religiosas do século XVI, além de ter servido como refúgio para obras do Louvre durante a Segunda Guerra Mundial. Cada château guarda capítulos que moldaram a identidade francesa.
O Vale do Loire é uma terra que pensa em grande: paisagens extraordinárias, vastas áreas naturais, patrimônio arquitetônico e artístico de exceção, vinhedos com dezenas de denominações de origem e mais de 900 km de rotas perfeitas para cicloturismo. Não por acaso, 280 km do vale — entre Sully‑sur‑Loire e Chalonnes — são reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO, uma paisagem cultural viva que combina natureza, história e elegância.
Como pano de fundo, corre o Rio Loire, o maior da França, serpenteando por mais de 1.000 km até o Atlântico. Ao longo de suas margens, surgem alguns dos castelos mais belos da Europa, cada um com jardins, florestas, vinhedos e histórias que se revelam a cada visita.

A região fica a pouco mais de duas horas de Paris, Nantes ou mesmo de Portugal (por avião). A partir daí, é possível seguir para o “Vale do Líger”, como os portugueses chamam oficialmente o Loire, de comboio, carro, autocarro ou bicicleta. Cada vez mais viajantes portugueses escolhem o vale para férias ou fins de semana prolongados, longe do turismo massificado, atraídos por seus castelos deslumbrantes, vilas pitorescas e atividades ao ar livre.
A palavra “castelo” nem sempre descreve bem o que se vê por aqui. O termo francês “château” pode significar castelo, palácio ou monumento — e, no Loire, muitas vezes é tudo isso ao mesmo tempo. Os cerca de 300 châteaux construídos entre os séculos X e XVI pela nobreza e pela realeza francesa combinam fortificações medievais com elegância renascentista. Durante a Guerra dos Cem Anos, quando Paris foi tomada, o vale tornou‑se o centro político da França, e mesmo após o conflito, François I manteve sua corte na região, consolidando sua importância.
Os castelos de Amboise, Chambord e Blois foram residências reais oficiais; os demais pertenciam a membros da corte. Muitos viajantes tentam visitar o Vale do Loire em um único dia saindo de Paris, mas o verdadeiro encanto só se revela a quem passa duas ou três noites na região. Embora 79 castelos sejam visitáveis, não é necessário ver todos: dois châteaux por dia são suficientes para aproveitar a viagem sem pressa. Entre um e outro, vale seguir pelas estradas secundárias e descobrir castelos menores, vilas escondidas e paisagens que se tornam memórias inesquecíveis.
Neste artigo, reunimos quatro dos castelos mais visitados e representativos do Vale do Loire Central e Loire‑Atlantique. Para saber mais sobre cada um deles, basta clicar no nome — uma nova página será aberta para você planejar suas visitas com tranquilidade.
Neste artigo, reunimos quatro dos castelos mais visitados e representativos do Vale do Loire Central e Loire‑Atlantique. Para saber mais sobre cada um deles, basta clicar no nome — uma nova página será aberta para você planejar suas visitas com tranquilidade.Castelo de Chenonceau

Nenhum é mais romântico do que o Castelo de Chenonceau. Ele é a personificação do
château de ilustração de livro de fábulas, pois paira sobre pilares
atravessando o Rio Cher.
É conhecido como o “Château des Dames”, por causa das sete senhoras poderosas que mandaram na propriedade — a mais célebre delas, Catarina de Médici, que ocupou Castelo de Chenonceau depois de enviuvar de Henrique II e promoveu ali algumas das festas mais espetaculares já vistas no vale dos castelos.
Durante a visita é impossível não se impressionar com os deslumbrantes arranjos de flores que a administração atual faz questão de espalhar pelo château.
É conhecido como o “Château des Dames”, por causa das sete senhoras poderosas que mandaram na propriedade — a mais célebre delas, Catarina de Médici, que ocupou Castelo de Chenonceau depois de enviuvar de Henrique II e promoveu ali algumas das festas mais espetaculares já vistas no vale dos castelos.
Durante a visita é impossível não se impressionar com os deslumbrantes arranjos de flores que a administração atual faz questão de espalhar pelo château.
Como chegar
O Château de Chenonceau fica:
De Carro:
- Paris: 240 km
- Tours: 33 km
- Amboise: 28 km
- Blois: 27 km
- Villandry: 55 km
- Château Chambord: 59 km
De trem chega-se:
- Paris: em 2:25 h, com baldeação em St.-Pierre-des-Corps.
- Tours: a viagem ferroviária leva 24 minutos.
A estação se chama Chenonceaux
Chisseau.
Como
visitar o Château de Chenonceau
Horário: abre o ano inteiro, das 9:30 às 17:00 h nos meses mais frios, estendendo a abertura das 9:00 h às 20:00 h no auge do verão (veja detalhes mês a mês aqui).
Horário: abre o ano inteiro, das 9:30 às 17:00 h nos meses mais frios, estendendo a abertura das 9:00 h às 20:00 h no auge do verão (veja detalhes mês a mês aqui).
Preço: A entrada custa 13 € (adultos), 10 € (menores de 18 anos), gratis (menores de 7 anos).
Castelo de Chambord
Castelo de Chambord é o maior dos châteaux do Val de Loire (Vale do Loire) — e o que melhor sintetiza castelo e palácio num único prédio, por ter
incorporado elementos arquitetônicos do Renascimento. Foi construído para dar
apoio às expedições de caça de François I, que já tinha dois châteaux nas
redondezas — os de Blois e de Amboise.A visita ao interior vale pelas
escadas em dupla hélice, atribuída a Leonardo da Vinci, (duas escadarias em espiral que se abraçam, mas não se
comunicam em nenhum andar) que levam ao terraço, onde as torres ganham uma
dimensão surpreendente.
Como
chegar
O Château Chambord está:
De Carro:
- Paris: 180 km
- Blois: 18 km
- Amboise: 52 km
- Château Chenonceau: 59 km
- Tours: 80 km
- Villandry: 104 km
De Trem: De maio a setembro pode-se ir de trem
de Paris a Blois (1:30 h) e ali pegar o ônibus (“navette”) ao Castelo de Chambord (40 minutos). Veja os
horários aqui.
Como
visitar o Château de Chambord
Horário: abre o ano inteiro. De abril a setembro das 9:00 h às 18:00 h; nos outros meses, das 9:00 h às 17:00 h.
Horário: abre o ano inteiro. De abril a setembro das 9:00 h às 18:00 h; nos outros meses, das 9:00 h às 17:00 h.
Preço: A entrada custa 13€ (adultos) na
alta temporada, 11€ na baixa, grátis (menores de 18 anos) acompanhados
por familiares.
Castelo de Amboise 

O Château de Amboise está verdadeiramente à beira do Rio Loire. E desponta no alto da cidadela
formada em seu entorno. Foi palco de intrigas e disputas, passou por períodos
de negligência e demolição. Apenas um quinto do castelo original chegou ao
nosso tempo.
Seu jardim suspenso é tido como o
primeiro terreno a ser ajardinado em toda a França.
Outra curiosidade: uma de suas
capelas abriga a tumba de Leonardo da
Vinci, que viveu e trabalhou alguns anos na região.

Como chegar
O Château de Amboise fica:
De Carro:
- Paris:220 km
- Château de Chenonceau:13 km
- Tours: 26 km
- Blois: 36 km
- Villandry: 44 km
- Château Chambord: 53 km
De trem:
- Paris:1:40 h
- Tours:17 min
- Blois: 40 min
Como
visitar o Château de Amboise
Horário: abre o ano inteiro, a partir das 9:00 h. Em janeiro, fevereiro, na segunda
quinzena de novembro e em dezembro a visitação é interrompida entre 12:00 h e 13:30 h ou 14:00 h; no resto do ano o horário é contínuo (veja detalhes mês a mês aqui).
Preço: A entrada custa 11,50€ (adultos) 7,70€ ( menores de 18 anos) grátis (menores de 7 anos).
Castelo de Blois
![]() |
| Crédito da Foto: Wikipédia |
O Castelo de Blois, localizado no coração da cidade de Blois, é um dos mais importantes palácios reais do Vale do Loire. Residência de vários reis e rainhas da França, o château reúne quatro estilos arquitetônicos — gótico, renascentista, medieval e clássico — que contam séculos de história francesa.
Entre os destaques estão a ala Luís XII, com sua fachada gótica em tijolos vermelhos; a ala François I, famosa pela escadaria renascentista em espiral; e a ala Gaston d’Orléans, obra-prima do classicismo francês. O castelo também abriga o Museu de Belas Artes, com mais de 300 obras.
Blois foi palco de eventos marcantes, incluindo o assassinato do Duque de Guise, ordenado por Henrique III em 1588. Hoje, o castelo oferece visitas temáticas, exposições e um espetáculo noturno de luzes que projeta a história da França sobre suas fachadas.
Blois não é o mais monumental do Loire, mas é um dos mais históricos, autênticos e didáticos, ideal para quem deseja entender a vida da corte francesa.
Como
chegar
O Château de Blois fica:
De Carro:
- Paris:185 km
- Château Chambord:18 km
- Château de Chambord: 27 km
- Amboise: 36 km
- Tours: 65 km
- Villandry: 83 km
De trem:
- Paris: 1:30 h
- Tours: 35 min
A estação se chama Blois.
Como
visitar o Château de Blois
Horário: está aberto o ano inteiro, a partir das 9:00 h entre abril e outubro, a partir das 10:00 h entre novembro e março. Entre novembro e março há interrupção da visita entre 12:00 h e 13:30 h, mas nos outros meses o horário é contínuo (veja detalhes mês a mês aqui).
Preço: O ingresso custa 10,50 € (adultos), 5€ (até 17 anos) grátis (até 5 anos).
Horário: está aberto o ano inteiro, a partir das 9:00 h entre abril e outubro, a partir das 10:00 h entre novembro e março. Entre novembro e março há interrupção da visita entre 12:00 h e 13:30 h, mas nos outros meses o horário é contínuo (veja detalhes mês a mês aqui).
Preço: O ingresso custa 10,50 € (adultos), 5€ (até 17 anos) grátis (até 5 anos).
Castelo de Villandry
Deixe o Castelo de Villandry para a sobremesa — ou para o dia em que a previsão do tempo indicar céu aberto.
O château em si não é dos mais históricos, e sua principal atração nem existia até o início do século XIX, quando um novo proprietário iniciou a criação de um magnífico jardim renascentista.
Hoje, esses jardins são tão impressionantes que já justificariam a visita, mesmo que o Vale do Loire não tivesse outros castelos ao redor.
Como
chegar
O Castelo de Villandry está:
O Castelo de Villandry está:
De Carro:
- Paris: 255 km
- Tours: 18 km
- Amboise: 44 km
- Château de Chenonceau: 55 km
- Blois: 83 km
- Château Chambord: 104 km
De Trem: Se não
estiver de carro, vá de trem até Tours;
de lá, um táxi leva 20 minutos. Em julho e agosto há um ônibus (“navette fil
vert”) que leva da estação de trem de Tours
ao château.
Como
visitar
Horário:
Horário:
Jardins: abertos o ano
inteiro a partir das 9:00 h.
Castelo: fecha entre meados de novembro e meados
de fevereiro, abrindo durante a época de Natal e Ano Novo.
Veja detalhes mês a
mês de horários do jardim e de dias de fechamento do castelo aqui.
Preço:
Jardins: custa 7€ (adultos), 5,00 € (menores de 18 anos) grátis (menores de 8 anos).
Jardins + Château: 11€ (adultos) 7€ (menores de 18 anos) grátis (menores de 8 anos).
Dicas: Para não ter surpresas, saímos de casa
com todos os ingressos comprados pela internet no site oficial dos castelos, já que não tínhamos dias extras, não queríamos
correr o risco.
Outro detalhe é que, optamos por visitar o Chateau de Villandry e não o de Bois, mesmo por que para visitar os castelos, montamos base na cidade de Tours, que fica a pouca distância. Por isso, a minha dica é que sem carro, monte base em Tours, que tem melhores opções de transporte público e tours.
De carro, ache um hotel que seja a sua cara e aproveite – é tudo pertinho, não vale a pena trocar de base.
Abaixo conto um pouco sobre Tours e os principais pontos turísticos que visitamos em nossa estadia na cidade:
Tours é a maior cidade da região do Centre-Val
du Loire e capital do departamento de Indre-et-Loire,
sendo a base favorita dos turistas para explorar o Vale do Loire. Essa escolha decorre do fato de que, por ser uma
cidade grande, oferece muitas opções de hospedagem, restaurantes e lojas, além
de contar com uma estação de trem servida inclusive por TGV (trem de alta
velocidade).
O único problema é que, justamente em razão da cidade ser tão procurada pelos visitantes, os hotéis mais bem localizados lotam muito rápido, então não deixe sua reserva para a última hora se quiser se hospedar por lá!

O único problema é que, justamente em razão da cidade ser tão procurada pelos visitantes, os hotéis mais bem localizados lotam muito rápido, então não deixe sua reserva para a última hora se quiser se hospedar por lá!
O melhor programa para conhecer Tours é caminhar
pelo seu centro histórico, ou Vieux Tours, como é chamado em
francês.
Em dias de semana, é bem fácil conseguir vagas
para estacionar na rua mediante o pagamento de parquímetro,
mas com preço amigável de até 2h de permanência. Nos sábados, essa região da
cidade fica completamente lotada, então pode ser necessário procurar um
estacionamento subterrâneo.
No coração do centro histórico, você vai encontrar
a Place Plumereau, uma praça rodeada de casas em estilo enxaimel
bem típico, cada uma abrigando um restaurante ou bar que atende seus clientes
nas inúmeras mesinhas espalhadas na rua. É um lugar muito animado,
especialmente ao anoitecer.
Para mais bares, restaurante e cafés, dê uma olhada
na Rue de la Rôtisserie, na Rue du Grand Marché e
na Place du Grand Marché, onde você com certeza não terá
dificuldades para matar a sua fome.
Na Place du Grand Marché, apelidada Place du Monstre, não estranhe a grande escultura de arte moderna
localizada bem no meio, de autoria de Xavier Veilhan, efetivamente
representando um monstro.
Passeando por essa região, você logo vai avistar a Basílica de Saint Martin, construída entre 1886 e 1902 pelo arquiteto Victor Laloux.

.JPG)
A imponente construção em estilo romano-bizantino abriga belo murais e vitrais, além da tumba de Saint Martin, nascido em Tours, localizada na cripta da igreja.
Antes da Basílica, havia no local uma igreja colegial, um dos santuários mais importantes da cristandade construída na época medieval.
Ainda é possível admirar, dessa época, a Torre Charlemagne, com um mirante no topo e a Torre de l’Horloge, classificados como monumentos históricos desde 1840.
Apenas alguns passos dali, fica mais um local que
definitivamente merece uma visita: Les Halles de Tours, um mercado
coberto maravilhoso, com estandes vendendo todo o tipo de produto local, desde
frios, salames e queijos, pães, patês, terrines, vinhos e doces. Mesmo que
você não queira comer nem comprar nada, vale a pena dar uma caminhada lá por
dentro para olhar os balcões perfeitamente arrumados e apetitosos.
Dica: você pode comprar uma fatia de terrine, um pedaço de queijo, uma
baguete e uma garrafa de vinho e fazer um belo piquenique!
Saindo dali, pegue a Rue des Halles,
cheia de lojinhas e siga até a Rue Nationale, onde passa o tram. Lá
você vai encontrar as grandes redes francesas e europeias, como Galleries Lafayette (loja de
departamentos), C&A, FNAC, Celio
(moda masculina), Calzedonia
(lingerie), Pimkie (moda jovem
barata), Hema (variedades,
papelaria, utensílios de cozinha, presentinhos, utilidades, tudo baratinho), Monoprix (roupas, acessórios, maquiagem
e supermercado).
Partindo da Rue
Nationale, a Rue Colbert é conhecida por abrigar as casas
mais antigas de Tours. Além de algumas pequenas lojinhas, restaurantes e
a Passage du Cœur-Navré, uma ruela estreita e fechada pela qual
passavam os prisioneiros antes de chegar à praça Foire le Roi, onde ocorriam as
execuções e torturas. Essa é só para quem é fascinado pela história, porque o
cheiro ali dentro não é nada agradável…

Por ali, temos a Catedral Saint-Gatien que homenageia o Saint Gatien (São Gatiano), que foi o primeiro bispo da cidade, cuja construção permeia entre os estilos românico, gótico e renascentista, levou quatro séculos para ser concluída.
Abriga em seu interior elementos do século XVI e o túmulo dos filhos de Carlos VIII e Ana da Bretanha. A catedral faz parte da lista de patrimônio arquitetônico da França por conta dos belíssimos vitrais, mas que infelizmente estava fechada, então só foi possível fotografar por fora.
Na ponta da Rue
Nationale, você chegará à Ponte Wilson ou “Pont de
Pierre” – ponte de pedra construída em 1765, inscrita na lista de monumentos
históricos nacionais em 1926.
A ponte que cruza o famoso Rio Loire é um dos pontos de encontro favoritos dos moradores nos
meses de verão, recebendo festivais de música, cinema ao ar livre e atividades
esportivas em torno do rio.
Esse é um passeio para quem tem apenas algumas
horas, mas é claro que, como toda cidade grande, Tours tem muito mais a
oferecer. Exemplo disso, são:
- Musée des Beaux-Arts
- Château de Tours
- Centre de Création Contemporaine Olivier Debré
- Museu de História Natural
Então, se puder ficar mais tempo por lá,
não deixe de pesquisar sobre essas e outras atrações!
- 06:57
- 0 Comments


