No quarto e último dia, por volta de 5h30, amanhecemos onde o Rio Negro e Rio Solimões se encontram sem se misturar.
É preciso acordar cedo, pois a passagem é prevista para as 6h30 da manhã, antes mesmo do café. Eram umas 6h20 quando subimos ao convés. O dia ainda estava amanhecendo. Olhei para o rio e pensei: será que haverá luz suficiente para assistir ao show?
Ao longe dava para ver o leito do rio, ostentando uma espécie de linha divisória. Mas, a alvorada deixava tudo em tons semelhantes de azul (que não é a cor real de nenhum dos dois rios).
Mas, quando o barco chegou bem perto, foi maravilhoso poder ver aquele fenômeno da natureza. O encontro destes dois colossos é de cair o queixo!
Tive o privilégio de vê-lo do alto do barco-hotel Iberostar Grand Amazon, debruçada no parapeito do convés de uma altura de quatro andares.
Dica: muita gente que se hospeda em hotéis de Manaus, sentindo-se “o chique dos chiques”, acaba fretando uma voadeira para ver o Encontro das Águas de forma privada, evitando grupos organizados. A ideia parece ótima — até chegar lá.
Dica: muita gente que se hospeda em hotéis de Manaus, sentindo-se “o chique dos chiques”, acaba fretando uma voadeira para ver o Encontro das Águas de forma privada, evitando grupos organizados. A ideia parece ótima — até chegar lá.
O problema é que embarcações pequenas não têm altura suficiente para o visitante perceber claramente o contraste entre o marrom do Rio Solimões e o negro do Rio Negro. De tão rente à água, a diferença das cores praticamente desaparece.
Se o objetivo for apenas sentir a mudança de temperatura entre os dois rios, uma lancha pequena funciona perfeitamente. Mas, para ver o fenômeno visual que torna o Encontro das Águas tão famoso, é preciso estar em uma embarcação mais alta. Caso contrário, é dinheiro desperdiçado.
💧Por que as águas não se misturam?
💡Aqui de novo: lembram-se daquela sua aula prática do laboratório de ciências da quarta série, onde o azeite e a água não se misturavam?
Pois bem, aqui a explicação está na origem dos dois rios, nos tipos de solo, nas plantas que encontram pelo caminho e também devido à densidade (pH), velocidade e temperaturas diferentes.
1. Rio Solimões
O Rio Solimões tem as suas águas de cor amarelada ou barrentas, por ter bastante cálcio e magnésio em suspensão. Elas descem dos Andes peruanos, chegando a uma velocidade de 4 a 6 km, a uma temperatura média da água de 22 ºC.
2. Rio Negro
O Rio Negro tem as suas águas de cor negra, é ácido e cheio de húmus.
Este mundaréu de água escura, maior em volume do que todos os rios da Europa juntos, tem sua nascente na Colômbia, encontrando aqui uma barreira intransponível. Ele é mais lento, correndo de 2 a 3 km/h, e possui uma temperatura média em torno de 27ºC a 28ºC.

O Rio Negro, sem preparo e sem transição, simplesmente acaba. Tornando-se apenas um afluente do Amazonas. Ou melhor, morrem os dois (o Rio Negro e o Rio Solimões) para nascer o Rio Amazonas, por onde todos estes barcos seguem viagem.
O Rio Negro, sem preparo e sem transição, simplesmente acaba. Tornando-se apenas um afluente do Amazonas. Ou melhor, morrem os dois (o Rio Negro e o Rio Solimões) para nascer o Rio Amazonas, por onde todos estes barcos seguem viagem.
🧳 Fim da Viagem
Chegamos no porto de Manaus às 8h. Hora do desembarque para as pessoas que não farão o Cruzeiro do Rio Negro. No entanto, quem vai continuar pode aproveitar o dia para fazer um city tour por Manaus ou simplesmente continuar curtindo um pouco mais do maravilhoso navio da Iberostar Gran Amazon.
O cruzeiro pelo Rio Amazonas é realmente lindo! Uma experiência única que ainda vou repetir fazendo o cruzeiro pelo Rio Negro!
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