⭐ Hospitalidade africana e árabe na exótica Túnis, na costa norte da África
Nosso próximo passeio foi um cruzeiro pelo Mediterrâneo, saindo de Barcelona, passando pela Tunísia, Sicília, Roma, Gênova, Marselha, chegando a Barcelona novamente, onde ficamos três dias. Depois voamos para Lisboa e lá permanecemos uma semana.
Fizemos uma postagem para cada um destes lugares. Para saber como foi, basta clicar sobre a cidade que o link vai levá-lo, imediatamente, para a publicação.
Agora, vamos falar sobre como foi em Túnis:
Túnis é um daqueles destinos na costa norte da África que nos arrebata logo no desembarque no porto de La Goulette.
Para nós, brasileiros, a entrada é facilitada: não precisamos de visto de turismo para estadias de até 90 dias, sendo apenas necessário preencher e carimbar um formulário de turismo marítimo na imigração (que deve ser guardado com cuidado para a volta).
A recepção no porto já dá o tom da viagem, com grupos de música local e camelos que encantam quem chega de navio. A capital da Tunísia é considerada Patrimônio Mundial da UNESCO e carrega mais de 3.000 anos de história, tendo sido ocupada por fenícios, romanos, bizantinos, turcos, espanhóis e franceses. Entre os séculos XII e XVI, foi uma das cidades mais ricas do mundo árabe, conquistando a sua independência da França em 1956.






Claro que toda esta área está sempre sob um forte dispositivo de segurança, mas os guardas permitem que se fotografem alguns edifícios.











E aqui vai a regra de ouro: regateie sempre! Nada tem preço fixo e pagar o primeiro valor é considerado quase uma afronta.


🌍 Roteiro da Visita a Túnis — Política, Contrastes e a Primavera Árabe
Começamos a nossa visita no centro da cidade, onde está à vista o crescimento da cidade, passando, depois, para a parte mais antiga, ou seja, para a Medina e as suas lojas de comércio tradicional, depois o Museu Bardo e, por fim, Cartago.
No centro de Túnis, destaca-se a grande Avenida Habib Bourguiba, onde decorreram algumas das mais importantes manifestações. Há bandeiras da Tunísia por todo o lado, recordando a Primavera Árabe e a Revolução de Jasmim, que derrubou o ditador Zine El Abidine Ben Ali dos comandos da nação. Túnis é o berço da Primavera Árabe, a onda de protestos que começou em dezembro de 2010 e espalhou-se depois por outros países como Líbia, Egito e Síria.
Tivemos a oportunidade de presenciar uma manifestação pacífica na Assembleia Constituinte pela aprovação de uma nova e progressista Constituição. Embora o guia nos tenha confessado que o sistema ainda não é uma democracia plena (“sabemos o resultado das eleições antes de elas ocorrerem”), o orgulho nacional é evidente.
Apesar de ser um país pobre (com 15% de desemprego), em que a pobreza e os carros muito sujos saltam à vista, a Tunísia surpreende por ser extremamente liberal e ocidentalizada. Não há conflito entre o antigo e o novo: ao mesmo tempo que vemos senhoras com o tradicional hijab (cujo uso deixou de ser obrigatório nos anos 80), cruzamo-nos com jovens de jeans, piercings e cabelos coloridos a caminho de centros comerciais, e rapazes a jogar futebol em frente ao Palácio do Governo.
A área que envolve os edifícios governamentais, conhecida como Place du Gouvernement, está sempre impecavelmente limpa.
A residência oficial do Primeiro-Ministro está localizada em Dar el Bey, num dos lados da praça, num edifício de uma antiga hospedaria.
Durante o dia, o local está permanentemente lotado, tanto de turistas como de nativos, mas à noite o cenário é desértico.
Esta enorme praça contrasta com as ruas envolventes e está localizada a apenas alguns minutos da Mesquita Zitouna e da Rue de Kasbah.
Mesquita Zitouna
Também conhecida como a “Mesquita da Oliveira”, essa é uma das construções mais famosas de Túnis. Ela foi fundada no século VIII, ainda é a maior mesquita da cidade e a mais antiga, tendo sobrevivido a séculos de história e transformações políticas e culturais.
Ela fica bem no coração da Medina, um ponto de referência para a comunidade muçulmana local e um marco arquitetônico que atrai visitantes do mundo inteiro.

🕌 O Labirinto da Medina e a Arte de Regatear
Caminhar pela Medina — o centro histórico — é mergulhar na alma tunisina. As ruas são incrivelmente estreitas e as casas são todas branquinhas, decoradas com portas e janelas cheias de significado. Portas amarelas indicam que a família é rica; as azuis pertencem ao bairro andaluz; e os desenhos em relevo identificam a profissão e até a religião dos moradores.
Tivemos, inclusive, a oportunidade de visitar o deslumbrante interior da casa de um morador próspero.
Nos souks (os mercados tradicionais), os cheiros de especiarias e óleos misturam-se com os cafés exclusivos para homens, o som do futebol na rádio e o chamamento das mesquitas.
Visitamos a famosa Maison du Parfumeur, onde nos explicaram que a Tunísia vende 80% da sua produção de flores para a indústria de perfumes de luxo na França. Lá, aprendemos que são necessários 30 kg de flores para extrair apenas 20 ml de essência pura, e saímos felizes com os nossos vidrinhos comprados por € 10.
Mais à frente, passamos pelo mercado dos tecelões (Souk de la Laine) e pelo mercado do ouro (Souk des Orfevres).
Por trás das fachadas desgastadas podem estar antigos palácios, mesquitas, matracais (escolas islâmicas). Bab El Bahr é um bom ponto para começar a visita ao souk, e os ourives estão perto de Bab Bnet.
Os vendedores (maioritariamente homens) puxam-nos pelo braço para chamar a atenção. Apaixonamo-nos por alguns souvenirs cujo preço inicial era de $ 350, e, após muita encenação — incluindo o meu marido ameaçar ir embora duas vezes dizendo que não tinha mais dinheiro —, fechamos o negócio por € 180. O vendedor abriu um sorriso enorme e nós saímos felizes, mesmo sabendo que, no final, são sempre eles que ganham!
🏛️ Mosaicos Romanos e Ruínas de Cartago
Museu do Bardo
Um dos museus mais antigos do mundo árabe, instalado num palácio do século XII.
Ruínas de Cartago
Situadas a 18 km da capital, guardam a história da antiga potência que desafiou Roma sob o comando do general Aníbal.
Pagando uma taxa de 1 euro para fotografar, exploramos os Banhos de Antonino e o Anfiteatro, cercados por um bairro residencial moderno e luxuoso.
O Parque El Abidine (também conhecido como Carthage Park ou situado junto à imponente Mesquita El Abidine/Malik Ibn Anas) é um espaço verde público localizado na colina de Odeon (Dido), no sítio arqueológico de Cartago, na Tunísia.
Sidi Bou Said
A “Santorini da Tunísia”. Uma vila piscatória andaluza encantadora, empoleirada na colina com uma vista soberba sobre o mar. A sua rua principal é um souk vibrante repleto de cerâmicas, artigos de couro e gaiolas de pássaros artesanais.
Dica: nossa visita a Túnis foi parte da excursão do cruzeiro, mas, se você quiser saber tudo sobre a cidade e planejar uma viagem por conta própria, recomendo o excelente guia do 360 Meridianos. Acesse aqui: O que fazer em Túnis, Tunísia: roteiro de 2, 3 ou 4 dias.
🌊 Conclusão
Deixamos a Tunísia e a sua hospitalidade afro-árabe com a mala cheia de azeite local, essências exóticas e muitas memórias de um povo que superou décadas de “mão de ferro” soviética para abraçar o futuro.O nosso cruzeiro levanta âncora e corta novamente as águas do Mediterrâneo rumo à Europa. Preparem os corações e as câmaras fotográficas, porque o nosso próximo destino é uma autêntica lenda viva.
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