Túnis | Tunísia: o que ver e fazer em um dia na capital norte-africana

23:24

⭐ Hospitalidade africana e árabe na exótica Túnis, na costa norte da África

Nosso próximo passeio foi um cruzeiro pelo Mediterrâneo, saindo de Barcelona, passando pela Tunísia, Sicília, Roma, Gênova, Marselha, chegando a Barcelona novamente, onde ficamos três dias. Depois voamos para Lisboa e lá permanecemos uma semana. 
Fizemos uma postagem para cada um destes lugares. Para saber como foi, basta clicar sobre a cidade que o link vai levá-lo, imediatamente, para a publicação. 
Agora, vamos falar sobre como foi em Túnis:
Túnis é um daqueles destinos na costa norte da África que nos arrebata logo no desembarque no porto de La Goulette
Para nós, brasileiros, a entrada é facilitada: não precisamos de visto de turismo para estadias de até 90 dias, sendo apenas necessário preencher e carimbar um formulário de turismo marítimo na imigração (que deve ser guardado com cuidado para a volta).
A recepção no porto já dá o tom da viagem, com grupos de música local e camelos que encantam quem chega de navio. A capital da Tunísia é considerada Patrimônio Mundial da UNESCO e carrega mais de 3.000 anos de história, tendo sido ocupada por fenícios, romanos, bizantinos, turcos, espanhóis e franceses. Entre os séculos XII e XVI, foi uma das cidades mais ricas do mundo árabe, conquistando a sua independência da França em 1956.

🌍 Roteiro da Visita a Túnis — Política, Contrastes e a Primavera Árabe

Começamos a nossa visita no centro da cidade, onde está à vista o crescimento da cidade, passando, depois, para a parte mais antiga, ou seja, para a Medina e as suas lojas de comércio tradicional, depois o Museu Bardo e, por fim, Cartago.
No centro de Túnis, destaca-se a grande Avenida Habib Bourguiba, onde decorreram algumas das mais importantes manifestações. Há bandeiras da Tunísia por todo o lado, recordando a Primavera Árabe e a Revolução de Jasmim, que derrubou o ditador Zine El Abidine Ben Ali dos comandos da nação. Túnis é o berço da Primavera Árabe, a onda de protestos que começou em dezembro de 2010 e espalhou-se depois por outros países como Líbia, Egito e Síria
Tivemos a oportunidade de presenciar uma manifestação pacífica na Assembleia Constituinte pela aprovação de uma nova e progressista Constituição. Embora o guia nos tenha confessado que o sistema ainda não é uma democracia plena (“sabemos o resultado das eleições antes de elas ocorrerem”), o orgulho nacional é evidente.
Apesar de ser um país pobre (com 15% de desemprego), em que a pobreza e os carros muito sujos saltam à vista, a Tunísia surpreende por ser extremamente liberal e ocidentalizada. Não há conflito entre o antigo e o novo: ao mesmo tempo que vemos senhoras com o tradicional hijab (cujo uso deixou de ser obrigatório nos anos 80), cruzamo-nos com jovens de jeans, piercings e cabelos coloridos a caminho de centros comerciais, e rapazes a jogar futebol em frente ao Palácio do Governo
A área que envolve os edifícios governamentais, conhecida como Place du Gouvernement, está sempre impecavelmente limpa.
A residência oficial do Primeiro-Ministro está localizada em Dar el Bey, num dos lados da praça, num edifício de uma antiga hospedaria.
Durante o dia, o local está permanentemente lotado, tanto de turistas como de nativos, mas à noite o cenário é desértico. 
Claro que toda esta área está sempre sob um forte dispositivo de segurança, mas os guardas permitem que se fotografem alguns edifícios.
Esta enorme praça contrasta com as ruas envolventes e está localizada a apenas alguns minutos da Mesquita Zitouna e da Rue de Kasbah

Mesquita Zitouna
  
Também conhecida como a “Mesquita da Oliveira”, essa é uma das construções mais famosas de Túnis. Ela foi fundada no século VIII, ainda é a maior mesquita da cidade e a mais antiga, tendo sobrevivido a séculos de história e transformações políticas e culturais.
Ela fica bem no coração da Medina, um ponto de referência para a comunidade muçulmana local e um marco arquitetônico que atrai visitantes do mundo inteiro.

🕌 O Labirinto da Medina e a Arte de Regatear

Caminhar pela Medina — o centro histórico — é mergulhar na alma tunisina. As ruas são incrivelmente estreitas e as casas são todas branquinhas, decoradas com portas e janelas cheias de significado. Portas amarelas indicam que a família é rica; as azuis pertencem ao bairro andaluz; e os desenhos em relevo identificam a profissão e até a religião dos moradores. 
Tivemos, inclusive, a oportunidade de visitar o deslumbrante interior da casa de um morador próspero.
Nos souks (os mercados tradicionais), os cheiros de especiarias e óleos misturam-se com os cafés exclusivos para homens, o som do futebol na rádio e o chamamento das mesquitas. 
Visitamos a famosa Maison du Parfumeur, onde nos explicaram que a Tunísia vende 80% da sua produção de flores para a indústria de perfumes de luxo na França. Lá, aprendemos que são necessários 30 kg de flores para extrair apenas 20 ml de essência pura, e saímos felizes com os nossos vidrinhos comprados por € 10.
Mais à frente, passamos pelo mercado dos tecelões (Souk de la Laine) e pelo mercado do ouro (Souk des Orfevres)
Por trás das fachadas desgastadas podem estar antigos palácios, mesquitas, matracais (escolas islâmicas).  Bab El Bahr é um bom ponto para começar a visita ao souk, e os ourives estão perto de Bab Bnet.
E aqui vai a regra de ouro: regateie sempre! Nada tem preço fixo e pagar o primeiro valor é considerado quase uma afronta. 
            
Os vendedores (maioritariamente homens) puxam-nos pelo braço para chamar a atenção. Apaixonamo-nos por alguns souvenirs cujo preço inicial era de $ 350, e, após muita encenação — incluindo o meu marido ameaçar ir embora duas vezes dizendo que não tinha mais dinheiro —, fechamos o negócio por € 180. O vendedor abriu um sorriso enorme e nós saímos felizes, mesmo sabendo que, no final, são sempre eles que ganham!

🏛️ Mosaicos Romanos e Ruínas de Cartago

Museu do Bardo
Um dos museus mais antigos do mundo árabe, instalado num palácio do século XII. 
  
Aqui desfrutamos de uma visita guiada por alguns dos quartos para admirar as exposições mais significativas, incluindo a requintada Sala Virgil, que abriga um espetacular mosaico Sousse do século III. Há também coleções de estátuas de mármore e joias do mundo antigo.
Ruínas de Cartago 

Situadas a 18 km da capital, guardam a história da antiga potência que desafiou Roma sob o comando do general Aníbal
Pagando uma taxa de 1 euro para fotografar, exploramos os Banhos de Antonino e o Anfiteatro, cercados por um bairro residencial moderno e luxuoso.
O Parque El Abidine (também conhecido como Carthage Park ou situado junto à imponente Mesquita El Abidine/Malik Ibn Anas) é um espaço verde público localizado na colina de Odeon (Dido), no sítio arqueológico de Cartago, na Tunísia.
Sidi Bou Said
A “Santorini da Tunísia”. Uma vila piscatória andaluza encantadora, empoleirada na colina com uma vista soberba sobre o mar. A sua rua principal é um souk vibrante repleto de cerâmicas, artigos de couro e gaiolas de pássaros artesanais.

Dica: nossa visita a Túnis foi parte da excursão do cruzeiro, mas, se você quiser saber tudo sobre a cidade e planejar uma viagem por conta própria, recomendo o excelente guia do 360 Meridianos. Acesse aqui: O que fazer em Túnis, Tunísia: roteiro de 2, 3 ou 4 dias.

🌊 Conclusão

Deixamos a Tunísia e a sua hospitalidade afro-árabe com a mala cheia de azeite local, essências exóticas e muitas memórias de um povo que superou décadas de “mão de ferro” soviética para abraçar o futuro.
O nosso cruzeiro levanta âncora e corta novamente as águas do Mediterrâneo rumo à Europa. Preparem os corações e as câmaras fotográficas, porque o nosso próximo destino é uma autêntica lenda viva.


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