⭐São Luís: história, beleza e um fim de semana cheio de descobertas
Não tínhamos nada programado para o feriado de 21 de abril, até que encontrei uma passagem aérea da Gol com ótimo preço para São Luís. O voo saía do Rio na sexta às 9h e chegava ao Maranhão ao meio-dia; o retorno seria no domingo às 17h. Tempo suficiente para explorar a cidade — e, quem sabe, dar um pulinho em Alcântara no sábado.
Infelizmente, a visita a Alcântara não aconteceu. A tábua da maré amanheceu muito baixa, impedindo a navegação pela manhã. O barco só sairia à tarde e não retornaria no mesmo dia. Uma pena, porque estava animada para conhecer — apesar do medo de enjoar, já que a travessia é em mar aberto e costuma ser bem agitada. Mas São Luís compensou.
🏛️ Uma cidade histórica que nasceu diferente
O Centro Histórico, conhecido como Reviver, é Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. Um conjunto arquitetônico único no Brasil, com mais de 3.500 edificações tombadas.
Mas, como toda cidade grande, São Luís enfrenta problemas sérios de segurança e preservação. E isso impacta diretamente a experiência do turista.
🚶 Por que optamos por um tour guiado
A verdade é que o centro histórico de São Luís tem muitos relatos de assaltos, especialmente contra turistas. E como o turismo ainda é pouco explorado no Maranhão, é difícil encontrar guias confiáveis sem indicação.
Por sorte, encontramos o Sr. Nelito, um guia experiente, profundo conhecedor da história da cidade e extremamente profissional. Ele nos mostrou que um bom guia:
- protege o turista
- sabe exatamente por onde andar
- evita áreas de risco
- enriquece a visita com informações históricas
- transforma a experiência
Foi uma das melhores decisões da viagem.
🛡️ Por que você deve contratar um guia em São Luís
Minha recomendação é clara: contrate um guia turístico com boas referências para visitar o Reviver. Por dois motivos:
✔ 1. Segurança
O guia conhece a região, sabe onde é seguro caminhar e evita situações de risco.
Assaltos são mais raros quando o turista está acompanhado de um profissional.✔ 2. História
São Luís tem muita história — e merece ser entendida.
Um guia transforma a visita em uma verdadeira aula ao ar livre.No final da postagem original você mencionou que deixaria o contato do Sr. Nelito.
🤔O que ver em São Luís
O centro histórico de São Luís é um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais do mundo e o maior patrimônio do tipo no Brasil. Andar pelas ruas do centro histórico é uma viagem ao período colonial. De dia, as ruazinhas de paralelepípedos são ótimas para passear a pé e tem várias opções do que fazer de graça ou bem baratinho. Você vai ler vez ou outra que o centro histórico de São Luís do Maranhão está ou foi revitalizado. Não é bem assim, infelizmente o Reviver já está decrépito de novo, precisando de nova restauração.
O que existe é um pequeno quadrilátero mais ou menos preservado, com arandelas coloniais e fios aterrados.
Grande parte dos casarões tombados está em ruínas e a falta de limpeza nas ladeiras e becos é pública e notória. Mas é aqui que se ouve histórias interessantes sobre os casarões, os túneis usados para transportar escravos e a sociedade da Ilha Magnética, um dos epítetos da capital, por causa da maré, que oscila violentamente, como foi o caso da ida para Alcântara. Seria para prender as pessoas que a conhecem? Sim, por que apesar de tudo, gostaria de ter ficado um dia…
O lugar vale sobretudo pelos casarões transformados em centros culturais e pelos agitos noturnos de sexta-feira. Realmente, São Luís ganhou o nome de Jamaica brasileira porque, ouve-se e toca-se reggae a cada esquina. Ao lado do hotel onde ficamos, na Lagoa Jansen, teve música alta quase a noite toda, e apesar de termos ficado em andar alto, deu para ouvir.
| Olha o meu marido de Bob Marley!!! |
Apesar dos pesares, São Luís tem um contorno histórico fascinante e não pode ser ignorada pelo viajante independente. São quase quatro mil imóveis tombados pelo Iphan. Destes, mais de mil foram reconhecidos como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. São praças, ruelas e largos altamente fotogênicos recontando a fábula da fundação e conquista de São Luís. O bairro deve ser desbravado a pé. Para conhecer os principais atrativos calmamente são necessários, pelo menos, dois dias inteiros.
O nosso roteiro começa na Rua Portugal. A rua reúne o maior conjunto de casarões revestidos com azulejos coloniais. A técnica de revestimento utilizada pelos portugueses servia para refletir a luz do sol e amenizar o calor que fazia e faz na região. Aqui está o Centro de Informações Turísticas, onde você pode obter informações e mapas.







Neste pequeno trecho do centro histórico está o Museu de Artes Visuais
E a Casa do Nhozinho, que faz um apanhado do melhor da arte maranhense.
O museu está instalado num casarão de 4 andares e revela um arsenal de ideias e objetos do cotidiano regional. São peças indígenas, utensílios de pesca, carros de boi, cofos e uma ala inteira dedicada ao artista que deu nome ao museu.

Mestre Nhozinho foi um dos mais destacados artesãos maranhenses. Mesmo acometido por uma doença degenerativa foi mestre na talha de buriti e o primeiro a representar a festa do bumba meu boi em miniatura. Uma das melhores visitas do centro histórico de São Luís.

Também diversas lojinhas de artesanato.



No final da Rua Portugal você cruza com a Rua da Estrela. No centro desta rua está a Casa das Tulhas, uma construção circular de 1820.


De manhã você encontra todas as bancas e lojas de produtos regionais vendendo produtos fresquinhos. É um ótimo lugar para comprar presentinhos, como cachaça, sacos da farinha grossa que é típica do Maranhão e da Amazônia, doces, guaraná jesus (o refrigerante rosa) garrafinhas de tiquira (um destilado ou aguardente de cor roxa, de mandioca) e as barracas de comida e de artesanato ficam abertas até o fim da tarde (domingo, até as 15h). Inclusive já que não pude ir à Alcântara, foi lá que comprei o meu "doce de espécie."


Todas às sextas-feiras, a partir das 19h, há apresentações espontâneas de Tambor de Crioula, uma dança de roda típica do Maranhão que, em 2007, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. A Casa das Tulhas funciona geralmente de segunda a sábado, das 06:00 às 20:00 (fechado aos domingos). Antes de ir procure informações atualizadas.
Neste pequeno trecho do centro histórico está o Museu de Artes Visuais
E a Casa do Nhozinho, que faz um apanhado do melhor da arte maranhense.
O museu está instalado num casarão de 4 andares e revela um arsenal de ideias e objetos do cotidiano regional. São peças indígenas, utensílios de pesca, carros de boi, cofos e uma ala inteira dedicada ao artista que deu nome ao museu.
Mestre Nhozinho foi um dos mais destacados artesãos maranhenses. Mesmo acometido por uma doença degenerativa foi mestre na talha de buriti e o primeiro a representar a festa do bumba meu boi em miniatura. Uma das melhores visitas do centro histórico de São Luís.
Também diversas lojinhas de artesanato.
No final da Rua Portugal você cruza com a Rua da Estrela. No centro desta rua está a Casa das Tulhas, uma construção circular de 1820.
De manhã você encontra todas as bancas e lojas de produtos regionais vendendo produtos fresquinhos. É um ótimo lugar para comprar presentinhos, como cachaça, sacos da farinha grossa que é típica do Maranhão e da Amazônia, doces, guaraná jesus (o refrigerante rosa) garrafinhas de tiquira (um destilado ou aguardente de cor roxa, de mandioca) e as barracas de comida e de artesanato ficam abertas até o fim da tarde (domingo, até as 15h). Inclusive já que não pude ir à Alcântara, foi lá que comprei o meu "doce de espécie."
Todas às sextas-feiras, a partir das 19h, há apresentações espontâneas de Tambor de Crioula, uma dança de roda típica do Maranhão que, em 2007, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. A Casa das Tulhas funciona geralmente de segunda a sábado, das 06:00 às 20:00 (fechado aos domingos). Antes de ir procure informações atualizadas.
Dali seguimos para a Rua do Giz ou Rua 28 de julho
Por aqui estão dois centros culturais que não visitamos, mas quem estiver de passagem pela cidade com mais tempo, são mais duas opções de lazer bem baratinha para se visitar: o Centro de Pesquisa e História Natural e Arqueologia
O Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão abrange as atividades de pesquisa, divulgação e fomento científico nas áreas de paleontologia, arqueologia e etnologia. Mantém exposições temáticas e desenvolve ações voltadas para a educação patrimonial e valorização da memória da sociedade maranhense.
Neste epicentro do casco histórico de São Luís, você pode visitar o museu que parece ser bem interessante: o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, também conhecido como Casa da Festa.

O museu, instalado num enorme casarão colonial, é uma mostra de roupas, adereços e objetos usados na festas e rituais religiosos do estado como Tambor de Crioula, Candomblé, que joga uma luz sobre o Tambor de Mina, a vertente maranhense do candomblé.

O andar dedicado ao Bumba Meu Boi ajuda explicar por que Joãozinho Trinta só poderia ter nascido no Maranhão.


Para ver os resquícios da vida aristocrática da São Luís antiga, tome a Rua do Sol e visite o belo Teatro Arthur Azevedo.
O teatro — muito parecido com o de Manaus e com o de Ouro Preto — foi erguido por comerciantes portugueses no auge do ciclo do algodão no estado. Tem estilo neoclássico com detalhes em rococó.

A visita — somente guiada de 3ª a 6ª às 14:00 h e 16:00 h ou 17:00 h— leva ao salão nobre, galerias, camarotes e palco. Quando fizer a visita guiada, verifique se não há nenhuma apresentação para os dias em que você estará na cidade; voltar à noite para ver o teatro em funcionando é o ideal. (Quando lá estivemos estava fechado para reforma)
O museu, instalado num enorme casarão colonial, é uma mostra de roupas, adereços e objetos usados na festas e rituais religiosos do estado como Tambor de Crioula, Candomblé, que joga uma luz sobre o Tambor de Mina, a vertente maranhense do candomblé.
O andar dedicado ao Bumba Meu Boi ajuda explicar por que Joãozinho Trinta só poderia ter nascido no Maranhão.
Para ver os resquícios da vida aristocrática da São Luís antiga, tome a Rua do Sol e visite o belo Teatro Arthur Azevedo.
O teatro — muito parecido com o de Manaus e com o de Ouro Preto — foi erguido por comerciantes portugueses no auge do ciclo do algodão no estado. Tem estilo neoclássico com detalhes em rococó.
A visita — somente guiada de 3ª a 6ª às 14:00 h e 16:00 h ou 17:00 h— leva ao salão nobre, galerias, camarotes e palco. Quando fizer a visita guiada, verifique se não há nenhuma apresentação para os dias em que você estará na cidade; voltar à noite para ver o teatro em funcionando é o ideal. (Quando lá estivemos estava fechado para reforma)
A próxima parada é a Matriz da Sé.
A igreja foi erguida em homenagem a Nossa Senhora da Vitória, considerada protetora dos portugueses durante as batalhas contra o exército inimigo.
Tem estilo neoclássico e altar-mor revestido de ouro. Reza a história que o altar-mor teve mão de obra indígena.
Num prédio anexo, fica o Museu de Arte Sacra. A taxa de visitação dá direito de acesso aos dois museus: MHAM e MAS.
A três quadras da Matriz da Sé está o Palácio dos Leões. É a sede oficial do governo do estado e apenas uma parte está aberta para visitação.
O prédio, na verdade, é uma antiga fortaleza erguida pelos franceses. Aliás, foram os franceses que fundaram São Luís em 1612, mas a cidade foi retomada pelos portugueses três anos depois.
Todo o mobiliário das salas é original. O local abriga peças francesas do século XVIII e muitos quadros vieram da coleção particular do escritor Arthur de Azevedo, ilustre maranhense. (Estava fechado quando lá estivemos).
Fechando o círculo, quase em frente ao Terminal da Integração da Praia Grande, a gente encontra o antigo Prédio da Alfândega, construído em 1873 que abriga o Museu Casa do Maranhão, sobre a história do Bumba Meu Boi.
Gostei muito dos três museus que visitamos, em todos tivemos a companhia de um guia pessoal e estavam praticamente vazios.
Você pode ainda querer ver:
-Museu Histórico e Artístico do Maranhão. O enorme casarão é um belo passeio pelo retrato da elite maranhense do século XIX. Vale entrar não só pelo acervo de mobiliário e documentos de época, mas pela oportunidade de entrar num casarão bem preservado. Móveis, livros e mobília revelam o dia a dia e os costumes de uma época que marcou profundamente a história, a cultura e a economia do estado. Por todos os cômodos, por exemplo, estão espalhadas as escarredeiras — usadas para cuspir o tabaco. Na biblioteca está o manuscrito original do livro O Mulato, de Aluísio de Azevedo. Não pode fotografar lá dentro.
-Convento das Mercês. O antigo convento abriga o Memorial José Sarney. Hoje, com 5.800 m² de área construída, o Convento das Mercês é detentor de um rico acervo museológico e bibliográfico, sendo considerado uma dos Sete Tesouros de São Luís.
-Cafuá das Mercês. Fica em frente ao convento. Era um antigo mercado de escravos. Hoje, virou o Museu do Negro com vestimentas de grupos africanos, mas com pouca referência à história do negro no Maranhão.
🍽️Onde comer em São Luís
No quesito onde comer
e beber em São Luís, o eixo Ponta d'Areia - Lagoa da Jansen ainda
concentra a maior parte dos restaurantes e bares da cidade, porém a orla da
Lagoa da Jansen viu fechar alguns bares nos últimos tempos. No entanto, vou me
limitar aos três lugares que visitei nesta nossa passagem pela cidade:
Fomos para jantar, já que não
ficava muito longe da lagoa, onde estávamos hospedados -- e pertinho do Hotel
Luzeiros, um dos melhores hotéis da cidade.
O Cabana do Sol é famoso
em São Luís e talvez seja um dos restaurantes mais badalados pelos turistas que
visitam a cidade, já tendo sido premiado diversas vezes pelo Guia Quatro Rodas.
É o melhor lugar para provar a carne de sol com todos os acompanhamentos
regionais, tendo a grande vantagem de servir generosas porções de
acompanhamentos. Para se ter uma ideia, a carne de sol vem com uma pequena
porção de arroz branco, creme de mandioca, macaxeira cozida, feijão tropeiro e
paçoca. Os preços são caros, mas as porções dão para três pessoas.
Pedimos um prato que ao que parece é o campeão de vendas do restaurante: Camarão Internacional. O prato é um arroz cremoso de camarão ao molho banco, gratinado com queijo muzzarella e servido com batata palha. Muito bom mesmo, mas a combinação creme e queijo pode ser um pouco enjoativa. As porções são enormes e não fazem meia-porção; vá somente com quem possa dividir pratos. O prato vegano que a minha filha pediu estava simplesmente impossível de se comer de tão salgado. Ela reclamou, eles ofereceram outra opção sem cobrar nada.
No Centro histórico:
A área do Reviver tem muitos restaurantes simples, muitos abrem apenas para almoço. O interessante que achei para almoçar é:
Restaurante-Escola Senac
Como o próprio nome sugere, o Restaurante-Escola Senac nada mais é que um restaurante onde alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) põem em prática o que aprenderam em sala de aula. Falando assim, pode até parecer cilada ou que você irá servir de “cobaia”, mas não. Tanto a turma da cozinha quanto dos garçons mostraram que aprenderam tudo direitinho. A atração já começa pela localização, o restaurante funciona num casarão colonial na esquina da Rua do Giz com a Rua de Nazaré, bem perto da Igreja da Sé.
Durante o almoço o restaurante funciona em esquema de buffet. O cardápio do almoço muda dependendo do dia da semana. De segunda a quarta é variado, as quintas servem culinária regional e as sextas servem frutos do mar. Fomos no dia de culinária regional e a variedade de opções foi impressionante. Tinha arroz de cuxá, vatapá, carne de sol, carne assada, bode ao leite de coco. O jantar funciona a la carte. Achei a comida deliciosa, o ambiente super agradável e, de quebra, ainda rola um piano ao vivo. Para deixar tudo perfeito, o restaurante fica bem no centro histórico de São Luís, o que facilita muita a vida de quem quer dedicar um dia inteiro para explorar as ruas e museus da região.
E para beber?
Para beber seja qual for o restaurante que você escolher, não deixe de pedir o legítimo refrigerante maranhense: Guaraná Jesus. Para quem não conhece a história, o guaraná Jesus foi inventado pelo farmacêutico maranhense Jesus Norberto Gomes, numa tentativa frustrada de inventar um xarope. O remédio pode não ter dado certo, mas o Sr. Jesus conseguiu inventar uma das grandes paixões e orgulhos do paladar dos maranhenses.
Não resisti, fiz uma coleção de quadrilhos das paredes de São Luís, cada um mais lindo que o outro!!
Nota: Como havia prometido, segue o contato do guia: Nelito Souza.Tel (98)99965-9298. Email: nelitosouza@hotmail.com . Mas, quero deixar bem bem claro que, não ganho comissão por estar divulgando o contato dele, inclusive ele nem sabe que tenho um blog de viagem. E não me responsabilizo por qualquer problema que possa ocorrer caso alguém contrate os serviços dele. Mas peço, que caso alguém venha a ter algum tipo de problema, deixe seu comentário, para que possamos remover a divulgação. Ok?
⭐ Conclusão
São Luís é uma cidade fascinante, cheia de história, cultura e beleza — mas que exige atenção e planejamento. Mesmo com a frustração de não conseguir visitar Alcântara, o fim de semana foi enriquecedor, principalmente graças ao tour guiado que nos permitiu conhecer o Reviver com segurança e profundidade.Até a próxima!!

- 22:30
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