Manaus | Amazonas: Roteiro no Centro Histórico de Manaus — O que ver na Belle Époque Amazônica

18:07


Roteiro pelo Centro Histórico de Manaus: O Fausto da Borracha e a Herança Belle Époque

Dando continuidade à nossa aventura pelo Amazonas, o nosso primeiro dia completo em Manaus foi dedicado a caminhar e desvendar as relíquias do seu Centro Histórico.
 
Um pouco de história

Situada à margem esquerda do Rio Negro, Manaus nasceu em 1669 ao redor do Forte de São José. Os índios manaus ocupavam as duas margens do baixo Rio Negro e formavam o grupo étnico mais importante da área de influência do forte. 
Até a década de 1860, o látex extraído das seringueiras amazônicas foi decisivo para financiar a construção de uma cidade moderna. Manaus conservou basicamente o mesmo aspecto da primeira metade do século XIX.
 
O crescimento demográfico a partir de 1860 foi constante, mas não significativo, como seria na década de 1890. A exportação da “hevea brasiliensis” triplicou na década de 1860, e esse fato teve uma repercussão importante na atividade econômica regional, até então estagnada.
Mas foi na virada do século XIX para o XX que Manaus tornou-se a segunda maior cidade brasileira da Amazônia e um dos principais portos fluviais da América do Sul, transformando-se na opulenta “Paris dos Trópicos”. 
De 1889 a 1915, sua população cresceu de 15 mil para 80 mil habitantes. O acanhado núcleo urbano deu lugar a uma cidade planejada, construída a partir de um projeto racional e pretensamente eficiente.
A grande transformação da cidade ocorreu durante a administração do governador Eduardo Ribeiro (1892–1896) e foi ampliada por seus sucessores. 
Os sistemas de abastecimento de água e captação de esgoto, telefonia, luz elétrica e linhas de bonde formavam a infraestrutura da nova cidade. Além do aterramento de alguns igarapés (que se tornaram vias públicas), construíram-se praças, pontes, dois grandes hospitais, residências suntuosas, como o palacete da família Scholz, atualmente um importante centro cultural, e muitos edifícios públicos monumentais. 
Esses edifícios são alguns dos monumentos urbanos de uma Manaus construída durante o fausto da borracha (1880–1912). Eles formam uma sequência de cartões-postais que preparamos para mostrar neste roteiro a pé de aproximadamente 3,5 km pela cidade. Segue o nosso itinerário com todas as dicas práticas atualizadas:

1. Largo de São Sebastião e Monumento à Abertura dos Portos

O nosso ponto de partida foi o icônico Largo de São Sebastião. O piso da praça, feito de pedras portuguesas com um traçado que imita as ondas do encontro das águas, guarda uma curiosidade histórica: foi ele que inspirou o famoso calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, e não o contrário!

No centro do largo destaca-se o Monumento Comemorativo à Abertura dos Portos, uma imponente escultura de mármore, granito e bronze do artista Domenico De Angelis.

  • Dica de Ouro: o Largo é o coração cultural da noite manauara. É aqui que se encontra o lendário Bar do Armando, ideal para tomar um guaraná do Amazonas ou uma cerveja gelada, e as bancas onde se serve o autêntico tacacá.

2. Teatro Amazonas

O Teatro Amazonas localizado em Manaus, é o principal cartão-postal da cidade. Situado no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico, foi inaugurado em 1896 para atender ao desejo da elite amazonense da época, que idealizava a cidade à altura dos grandes centros culturais.

Fizemos uma postagem especificamente somente sobre o Teatro Amazonas, que você poderá ver em detalhes aqui: Manaus | Amazonas: Teatro Amazonas, as histórias, arquitetura, visitas guiadas e curiosidades do ícone amazônico

3. Palacete ProvincialIMG_7131Caminhando um pouco mais em direção ao centro, chegamos ao Palacete Provincial. Inaugurado oficialmente em 1875, este imponente edifício funcionou durante mais de um século como Quartel da Polícia Militar.IMG_7135

  • Informação Atualizada: hoje, o Palacete foi transformado em um riquíssimo complexo cultural que abriga cinco museus simultâneos: o Museu de Numismática (moedas), o Museu de Arte do Amazonas, o Museu da Imagem e do Som, o Museu Tiradentes (história da polícia) e a Pinacoteca do Estado. A entrada é gratuita, mas os horários de visitação podem exigir agendamento prévio no portal da Secretaria de Cultura do Amazonas.
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4. Liceu Provincial — atual Colégio Amazonense D. Pedro II
A inauguração oficial se deu praticamente um ano depois da conclusão da obra, em 1875.

5. Praça do Congresso e Praça da SaudadeTerminamos o nosso passeio subindo em direção à Praça do Congresso e à Praça da Saudade, passando pela belíssima arquitetura do Instituto Benjamin Constant.
São espaços arborizados ideais para observar o cotidiano da capital e a evolução da sua orla ribeirinha.

Onde Comer
Restaurante Tambaqui de Banda
Para repor as energias e fugir do calor intenso da cidade, a parada obrigatória é o restaurante Tambaqui de Banda, estrategicamente posicionado junto aos principais pontos históricos.
O restaurante conta com um piso superior totalmente refrigerado — um verdadeiro oásis face ao clima abafado de Manaus. O prato emblemático é a banda de tambaqui assada na brasa, servida com baião de dois e vinagrete. Para acompanhar, solicite o incrível suco de taperebá.

  • Dica Prática: Como os pratos são confeccionados na hora e o local está sempre muito concorrido por turistas e locais, o serviço pode ser um pouco lento. Vá com tempo para saborear a refeição, sem pressas.

Onde Ficar
Para esta etapa urbana, hospedamo-nos no Seringal Hotel. Instalado num casarão antigo restaurado.
A apenas uma quadra do Teatro Amazonas, o hotel oferece quartos amplos com cabeceiras em estilo colonial e uma cama super queen muito confortável. É uma base charmosa com excelente custo-benefício para quem quer explorar os monumentos a pé.

🗺️ Visualização no Mapa
Para lhe ajudar a replicar os passos deste passeio a pé pelo coração histórico de Manaus, preparei este mapa interativo:

Conclusão

Embora esteja acostumada com o calor abafado do Rio de Janeiro, incomoda bastante quem tem que andar sem conhecer a cidade. Apesar disso, gostei muito da cidade. A preservação dos monumentos históricos surpreendeu-nos muito positivamente e os guias locais mostraram-se muito bem preparados para acolher quem visita a região. 

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